Parlamentar brasileiro de terno e óculos concede entrevista coletiva, falando ao microfone em ambiente institucional com fundo desfocado em tons de verde.
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Acordo Mercosul-UE pode ir ao plenário da Câmara após Carnaval

O futuro do **Acordo de Associação entre o Mercosul e a União Europeia volta a ganhar definição no Congresso brasileiro. O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), relator do texto no Parlamento do Mercosul (Parlasul) e presidente da Representação Brasileira no bloco, afirmou que a tramitação na Câmara dos Deputados deverá avançar à votação em plenário na semana seguinte ao feriado de Carnaval, caso o processo siga sem grandes obstáculos.

O tratado econômico foi oficialmente assinado em 17 de janeiro de 2026, após mais de duas décadas de negociações, mas ainda depende de aprovação pelos parlamentos dos países e blocos envolvidos para entrar em vigor.

Trâmite legislativo e prazos

O primeiro passo previsto na agenda interna foi a apresentação do parecer por Chinaglia à Representação Brasileira no Parlasul, reunião que ocorreu com a participação de deputados e senadores brasileiros. Uma vez analisado e aprovado nesse âmbito, o texto segue para votação nas comissões da Câmara e, posteriormente, pode ser levado ao plenário.

Segundo relatos de líderes partidários, o cronograma indica que a apreciação no plenário da Casa deve ocorrer após o Carnaval, marcando um momento decisivo para o início efetivo da fase legislativa do acordo no Brasil.


Em acordos internacionais como este, o papel do Congresso é deliberar apenas pelo sim ou não ao tratado, sem possibilidade de alteração substantiva no conteúdo negociado.

Conteúdo e impacto do acordo

O Acordo Mercosul-UE é um tratado de livre comércio que prevê a redução ou eliminação de tarifas aduaneiras sobre grande parte das trocas comerciais entre os países dos dois blocos. Quando ratificado, permitirá que produtos industriais e agrícolas circulem com menos barreiras, beneficiando exportadores e importadores de ambos os lados.

Economistas destacam que esse tipo de tratado tende a ampliar o volume de comércio bilateral, estimulando setores como agropecuária, maquinaria, bebidas e alimentos, além de serviços. Para o Brasil, a expectativa é que mercados europeus se tornem mais acessíveis a produtos como carne, suco e café, enquanto empresas europeias ganhariam espaço em setores industriais no Mercosul.

No entanto, analistas também enfatizam desafios: mudanças estruturais exigidas por normas europeias de segurança alimentar, sustentabilidade e padrões ambientais podem exigir ajustes nas cadeias produtivas sul-americanas, abrindo debates sobre custos e prazos.

Cenário internacional e geoeconomia

A assinatura e potencial ratificação do acordo se insere num cenário global onde blocos econômicos buscam fortalecer laços comerciais, ao mesmo tempo em que enfrentam pressões protecionistas e debates internos sobre soberania regulatória.

Para a União Europeia, consolidar relações com o Mercosul reforça sua presença em mercados emergentes e diversifica fornecedores e destinos de exportação. Para o bloco sul-americano, o tratado é visto como oportunidade de ampliar competitividade internacional e atrair investimentos, embora setores sensíveis como agricultura intensiva e indústria tenham posições divididas sobre os efeitos a longo prazo.

Desdobramentos e expectativas

A previsão de votação em plenário após o Carnaval marca um ponto crítico na trajetória do acordo no Brasil. Caso seja aprovado, o texto seguirá para análise no Senado Federal, que também terá papel decisivo na ratificação final do tratado no país.

O andamento desta pauta terá impacto direto não apenas no comércio bilateral entre Brasil e União Europeia, mas também na posição estratégica do Mercosul em negociações comerciais globais, influenciando relações com outros blocos econômicos e fortalecendo fluxos de comércio internacional em um contexto de competição geoeconômica crescente.