Universidade de SC cria jogo digital para enfrentar violência de gênero nas redes

Ferramenta lúdica para um problema real

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolveu um jogo digital que tem como objetivo principal estimular a reflexão e a educação sobre violência de gênero no ambiente virtual. Em um contexto em que redes sociais se tornaram espaços centrais de interação, discussões e mobilização política, o projeto propõe um olhar crítico sobre comportamentos abusivos que afetam especialmente mulheres e grupos historicamente marginalizados.

O lançamento faz parte de uma iniciativa acadêmica que integra educação, tecnologia e questões de direitos humanos, visando alcançar públicos jovens e adultos de forma interativa. A partir de mecânicas de jogo, participantes são levados a tomar decisões, reconhecer situações de abuso e compreender os impactos dessas interações no cotidiano digital.

Redes sociais e desafios cotidianos

As redes sociais transformaram a maneira como as pessoas se relacionam, compartilham informações e participam de debates públicos. Porém, essas plataformas também reproduzem e potencializam formas de violência, incluindo discursos de ódio, assédio e atitudes discriminatórias. O novo jogo surge como resposta educativa a esse cenário, convidando jogadores a vivenciarem situações que exigem posicionamento e discernimento.

Especialistas envolvidos no projeto destacam que, além de entretenimento, o jogo funciona como um instrumento pedagógico para problematizar comportamentos online. Ele incorpora cenários inspirados em situações reais que muitos usuários enfrentam em plataformas como Instagram, TikTok e Twitter – redes que concentram grande parte da interação social contemporânea.


Conexões entre tecnologia e desigualdades sociais

O desenvolvimento do jogo digital na UFSC também está alinhado a debates globais sobre tecnologia, responsabilidade das plataformas e direitos humanos. Instituições internacionais, como a União Europeia e agências de direitos digitais dos Estados Unidos, têm ampliado discussões sobre regulação de conteúdo, proteção de grupos vulneráveis e mecanismos para prevenir violência online.

Nesse contexto internacional, projetos educativos se destacam como partes complementares de políticas públicas e iniciativas privadas que buscam reduzir impactos negativos das mídias sociais. A proposta da UFSC dialoga com essas tendências ao oferecer um recurso acessível e baseado em pesquisa para promover empatia e consciência crítica entre usuários.

Educação, empatia e transformação cultural

O jogo também reflete uma tendência crescente de uso de abordagens gamificadas para educação em temas sociais. Ao permitir que o público experimente diferentes perspectivas, a ferramenta abre espaço para debates em escolas, universidades e espaços comunitários. Essa combinação de ludicidade e profundidade torna o projeto uma referência para práticas educativas inovadoras no Brasil.

A iniciativa pode inspirar outras instituições acadêmicas e organizações da sociedade civil a desenvolver soluções semelhantes, ampliando o repertório de ações contra a violência de gênero em ambientes digitais e físicos.