O volume de serviços no Brasil registrou crescimento de 0,8% no quarto trimestre de 2025 em comparação com o terceiro trimestre, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado confirma uma trajetória de recuperação moderada em um dos segmentos mais relevantes da economia nacional.
Responsável por mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) e por grande parte dos empregos formais, o setor de serviços tem papel estratégico na sustentação da atividade econômica. O desempenho positivo no fim do ano sinaliza resistência diante de um ambiente global ainda marcado por incertezas.
Desempenho em um cenário de cautela
A expansão de 0,8% reflete melhora em áreas como transporte, tecnologia da informação, serviços prestados às famílias e atividades profissionais. O avanço ocorre após meses de oscilação, influenciados por juros elevados e crédito mais restrito.
Mesmo com crescimento modesto, o resultado é interpretado por analistas como sinal de estabilização. O consumo das famílias mostrou maior resiliência no último trimestre, impulsionado por mercado de trabalho ainda aquecido e políticas de renda.
No entanto, o ritmo segue condicionado ao custo do crédito e ao cenário fiscal, fatores que impactam decisões de investimento e contratação.
Influência do contexto internacional
O desempenho doméstico também dialoga com o ambiente externo. Tensões comerciais entre Estados Unidos e China, conflitos no Leste Europeu e instabilidade energética em algumas regiões afetam cadeias globais de produção e serviços.
O Brasil, como economia emergente integrada ao comércio internacional, sente reflexos dessas dinâmicas. A desaceleração em grandes economias pode reduzir demanda por serviços ligados à logística e comércio exterior. Por outro lado, a busca por diversificação de mercados e digitalização amplia oportunidades em tecnologia e serviços especializados.
A manutenção de crescimento, ainda que moderado, demonstra capacidade de adaptação do setor brasileiro frente a turbulências globais.
Emprego e renda em foco
O setor de serviços é intensivo em mão de obra. A expansão no quarto trimestre contribui para sustentar postos de trabalho e renda, especialmente em segmentos urbanos. Pequenas e médias empresas, que representam parcela significativa do setor, dependem diretamente do consumo interno.
Especialistas apontam que a continuidade do crescimento dependerá da trajetória da política monetária e da confiança empresarial. Reduções graduais de juros podem estimular investimentos e ampliar a oferta de crédito.
O avanço de 0,8% no encerramento de 2025 reforça expectativa de crescimento moderado para o próximo ano, desde que o cenário externo não se deteriore. A consolidação do setor de serviços será decisiva para o desempenho do PIB e para a estabilidade do mercado de trabalho.
Em meio a desafios fiscais e geopolíticos, o resultado indica que a economia brasileira mantém capacidade de reação. O ritmo ainda é cauteloso, mas aponta para um caminho de recuperação consistente, sustentado pelo dinamismo do setor que mais emprega e movimenta renda no país.





































































