O volume de vendas no varejo do Brasil encerrou 2025 com expansão, apoiado por uma leitura positiva no último trimestre — um sinal de que o consumo interno ainda sustenta parte da atividade econômica, mesmo diante de um cenário de alto custo de crédito e inflação persistente. Os dados, compilados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que o setor conseguiu fechar o ano em terreno positivo após variações mensais moderadas.
Retomada no quarto trimestre
No conjunto dos últimos três meses de 2025, o varejo brasileiro registrou uma aceleração no ritmo de vendas comparado ao trimestre anterior. Esse comportamento reflete uma combinação de fatores sazonais — como o período de compras de fim de ano — e uma leve melhora no poder de compra das famílias, diante de sinais de estabilidade no mercado de trabalho e distribuição de renda que, embora tênues, se mostraram suficientes para impulsionar o consumo.
Por outro lado, os números dessa fase mais recente não devem ser interpretados como uma virada definitiva. A continuidade ou não desse crescimento dependerá de variáveis como a política de juros no Brasil e no exterior, que influencia diretamente o custo do crédito ao consumidor e o custo de capital para empresas varejistas.
Desaceleração acumulada em 2025
Apesar do resultado positivo no último trimestre, o varejo encerrou 2025 com crescimento acumulado de cerca de 1,6% em comparação com 2024 — bem abaixo de expansões observadas em períodos de recuperação mais vigorosa. Esse desempenho sugere que o consumo enfrenta limitações estruturais, possivelmente ligadas a renda estagnada e ao peso dos juros elevados sobre financiamentos e empréstimos.
Essa desaceleração anual sinaliza para os analistas que, mesmo com avanços marginais, o setor ainda não conseguiu se distanciar de um ciclo de moderado crescimento, refletindo um contexto mais amplo de contenção de gastos pelas famílias.
Impactos regionais e setoriais
Os efeitos do crescimento no varejo não se distribuíram de maneira uniforme. Grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro, com base econômica mais diversificada e maior densidade de renda, mostraram performance relativamente mais robusta em comparação a áreas com menor poder aquisitivo.
Setores específicos dentro do varejo também responderam de modo distinto: segmentos ligados a bens duráveis e tecnologia registraram variações mais expressivas — impulsionados, em parte, pela demanda por equipamentos de escritório e comunicação — enquanto categorias como vestuário apresentaram resultados mais modestos.
Fatores externos e perspectivas
No plano internacional, as incertezas sobre a condução da política monetária pelos principais bancos centrais — notadamente o Federal Reserve nos EUA — continuam a influenciar decisões de consumo e investimento no Brasil. Movimentos de juros globais podem reforçar ou reduzir o apetite por crédito, impactando diretamente o varejo.
A trajetória futura do varejo brasileiro dependerá, portanto, não apenas de fatores domésticos — como políticas públicas de estímulo ao consumo e reformas estruturais —, mas também da capacidade do país de navegar em um ambiente externo marcado por volatilidade econômica e tensões comerciais.






































































