A taxa média de juros bancários no Brasil atingiu o maior nível em mais de oito anos, impulsionada pela manutenção da taxa Selic elevada pelo Banco Central. Em novembro de 2025, os juros cobrados pelos bancos em operações com recursos livres — que incluem empréstimos pessoais e crédito para empresas — fecharam o mês em 46,7% ao ano, representando alta de 0,6 ponto percentual em relação a outubro e sendo o maior patamar desde abril de 2017.
O aumento ocorre em um cenário em que a Selic, taxa básica de juros da economia, está fixada em 15% ao ano, nível mais alto em quase duas décadas e utilizado pelo Banco Central como ferramenta principal para conter a inflação.
O impacto da Selic no crédito
A Selic elevada afeta diretamente os custos de empréstimos e financiamentos no país. Como referência para diversas operações de crédito, quando a taxa básica permanece alta por um período prolongado, os bancos tendem a repassar esse custo aos clientes, elevando os juros cobrados em produtos como empréstimos pessoais, cartões de crédito e cheque especial.
Esse efeito ficou evidente em novembro, quando os juros para pessoas físicas subiram de 58,5% ao ano em outubro para 59,4% ao ano em novembro — uma trajetória ascendente que se aproxima do recorde observado em agosto de 2017, com 62,3% ao ano.
Cartão de crédito e cheque especial em patamares recordes
Algumas modalidades de crédito continuam em níveis particularmente altos. O juros rotativo do cartão de crédito atingiu novamente um patamar extremamente elevado, alcançando 440,5% ao ano. Essa modalidade permanece como uma das mais onerosas do sistema financeiro, penalizando consumidores que recorrem ao crédito para pagar saldos em atraso.
Da mesma forma, o cheque especial também apresentou juros altos, acima de 140% ao ano, dificultando ainda mais a vida financeira de famílias que dependem dessa linha de crédito emergencial.
Consequências para famílias e empresas
Juros elevados têm impacto direto no custo de vida e na atividade econômica. Para famílias, o aumento dos encargos financeiros reduz a renda disponível e pode desencadear endividamento crescente. Para empresas, especialmente as de menor porte, os custos mais altos para financiar capital de giro ou descontar duplicatas limitam investimentos e podem frear expansão.
Além disso, a alta taxa básica de juros influencia a capacidade de poupança e consumo da população, com potenciais efeitos sobre o crescimento econômico. Enquanto o Banco Central mantém a Selic em níveis elevados para conter a inflação, consumidores e empreendedores enfrentam um cenário mais restritivo para acessar crédito.
A recente elevação do juro bancário ao maior nível em oito anos ressalta o poder de transmissão da política monetária da Selic ao crédito. Embora seja uma ferramenta essencial para controlar a inflação, o alto custo do crédito coloca desafios significativos para famílias e empresas. O desfecho desse ciclo dependerá da evolução dos indicadores econômicos, especialmente a inflação e o crescimento, e de como o Banco Central equilibrará estabilidade de preços com estímulo à atividade econômica em 2026.


































































