Às vésperas da abertura da CES 2026, a maior feira de tecnologia do mundo, o setor de smartphones se prepara para uma mudança de foco. Se os últimos anos foram dominados por disputas de câmeras e telas dobráveis, 2026 promete ser o ano da revolução energética. Grandes fabricantes se alinham para lançar tecnologias que prometem recarregar totalmente um aparelho em menos de 10 minutos, enquanto uma corrida silenciosa por baterias de densidade inédita ganha corpo nos bastidores, definindo uma nova frente de inovação para o consumidor final.
A CES, que ocorre entre 6 e 9 de janeiro em Las Vegas, será o palco global para essas revelações. Enquanto a inteligência artificial permanece como tema onipresente em todos os segmentos, das TVs aos carros, a busca por uma autonomia que finalmente supere a ansiedade da tomada emerge como uma das tendências mais concretas para os dispositivos móveis em 2026.
A promessa dos minutos, não das horas
A carga ultrarrápida, antes um diferencial de marcas específicas, está se tornando um novo padrão de mercado. Dados técnicos de produtos atuais já mostram aparelhos capazes de atingir 100% da bateria em menos de 10 minutos com carregadores de 240W, ou em torno de 16 a 27 minutos com tecnologias entre 165W e 120W, que se popularizam rapidamente. A expectativa é que grandes nomes globais, além das fabricantes chinesas que lideram esta corrida, apresentem em Las Vegas seus avanços nesta área, integrando-a a seus flagships.
No entanto, especialistas alertam para um “caos absoluto” nos padrões. A existência de múltiplos protocolos proprietários (como o SuperVOOC da OPPO, Dash Charge da OnePlus e outros) significa que, na prática, a velocidade máxima muitas vezes só é alcançada com o carregador e cabo originais do aparelho. Um carregador de 120W de uma marca pode carregar um celular de 120W de outro fabricante a apenas um quarto da potência. Este é um ponto crítico que a indústria precisará endereçar para que a conveniência não se transforme em frustração para o usuário.
Além da velocidade: a revolução do silício
Enquanto a carga rápida resolve o problema do tempo na tomada, outra revolução, mais estrutural, promete aumentar drasticamente o tempo longe dela. A chave está na mudança do material das baterias: a transição do grafite para o silício.
Fontes do setor indicam que vários fabricantes, incluindo OPPO e HONOR, estão finalizando baterias com células que usam entre 25% e 30% de silício, um aumento significativo em relação aos 10% comuns atualmente. O resultado é um salto na densidade energética, permitindo embalar mais capacidade no mesmo espaço. Há rumores robustos de que veremos smartphones com baterias entre 8.500 mAh e 9.000 mAh já em 2026. Para contextualizar, isso representa quase o dobro da capacidade de um flagship premium típico de hoje.
A combinação dessas duas frentes – carregamento que se mede em minutos e baterias que duram dias – tem o potencial de redefinir radicalmente a experiência com o smartphone. A Samsung, que realiza seu evento “The First Look” em 4 de janeiro, dias antes da abertura oficial da CES, já adiantou que trará “novas experiências para consumidores impulsionadas por inteligência artificial” para sua divisão de dispositivos, e é esperado que o tema da eficiência energética esteja no cerne dessa discussão.
O equilíbrio necessário: velocidade versus longevidade
O avanço, contudo, não é isento de desafios. O grande inimigo da bateria de íon-lítio é o calor, um subproduto natural dos processos de carga ultrarrápida. Por isso, a recomendação técnica é que consumidores usem carregadores ultrarrápidos apenas quando a necessidade for realmente urgente, optando por cargas mais lentas para o uso cotidiano, especialmente durante a noite, para preservar a saúde da bateria a longo prazo.
À medida que os holofotes da CES 2026 se acendem sobre Las Vegas, fica claro que a próxima fronteira da mobilidade não está apenas no que o telefone pode fazer, mas por quanto tempo e com que rapidez ele pode se manter pronto para todas as tarefas. A era da ansiedade da bateria pode, finalmente, estar com os dias contados.































































