financiamento imobiliário
A closeup shot of a person thinking of buying or selling a house

Novas regras de financiamento imobiliário entram em vigor e ampliam acesso à casa própria

A partir desta sexta-feira (2), mudanças nos programas Minha Casa, Minha Vida e no Sistema Financeiro de Habitação reajustam limites de valor, reduzem entrada necessária e criam novas linhas de crédito, em um esforço para impulsionar o setor habitacional.

A medida mais imediata é o reajuste dos valores máximos de imóveis financiáveis pelo Minha Casa, Minha Vida para famílias de baixa renda (faixas 1 e 2, com renda até R$ 4,7 mil). Nas metrópoles com mais de 750 mil habitantes, o teto sobe para R$ 270 mil. Para capitais nesse mesmo porte populacional, o limite é de R$ 260 mil, e nas cidades com população entre 300 mil e 750 mil, o valor máximo passa a R$ 255 mil. O objetivo é adequar os valores à realidade do mercado, especialmente em regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde o custo da construção vinha dificultando novos empreendimentos.

Além disso, mudanças estruturais anunciadas em outubro começam a vigorar. O limite de valor do imóvel no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que oferece taxas de juros reguladas, foi elevado de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. A Caixa Econômica Federal, principal agente do setor, agora também financia até 80% do valor do imóvel (contra 70% antes), reduzindo a entrada necessária. Para um imóvel de R$ 500 mil, a entrada cai de R$ 150 mil para R$ 100 mil.


Outra novidade é o retorno da possibilidade de contratar mais de um financiamento imobiliário ao mesmo tempo na Caixa, regra suspensa desde 2024.

Crédito para reformas e impacto esperado

O pacote inclui uma nova linha de crédito para reformas, voltada a famílias com renda de até R$ 9.600. Os valores variam de R$ 5 mil a R$ 30 mil, com prazos de 24 a 60 meses e juros entre 1,17% e 1,95% ao mês, para melhorias que vão desde acessibilidade até segurança estrutural.

O governo projeta um salto no setor, com a meta de elevar a participação do crédito imobiliário no PIB dos atuais 10% para entre 15% e 20% em uma década. Para 2026, o orçamento do FGTS para a habitação é recorde: R$ 144,5 bilhões de um total de R$ 160,5 bilhões. As novas regras devem beneficiar diretamente 75 municípios, abrangendo cerca de 51,8 milhões de habitantes.

Oportunidades e recomendações para 2026

Especialistas ouvidos por veículos de economia veem 2026 como um ano propício para a compra, principalmente de imóveis prontos ou com entrega próxima. Com a demanda ainda contida pelos juros elevados, pode haver espaço para negociar descontos. Contudo, eles alertam que esperar por uma queda mais acentuada da taxa Selic pode ser um erro, pois a valorização dos imóveis que costuma acompanhar a redução dos juros pode anular o ganho com parcelas menores.

Para quem compra na planta, a atenção deve se voltar ao Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que corrige o saldo devedor junto à construtora até a entrega do imóvel. O indicador acumula alta de 6,41% em 12 meses.

Em resumo, as regras que começam a valer hoje representam uma iniciativa multifacetada: aumentam o poder de compra de famílias de baixa renda, reinserem a classe média no crédito regulado e injetam bilhões no setor, com potencial para movimentar toda a cadeia da construção civil.