Gráfico de inflação em alta mostra projeção de 4,06% para a inflação no Brasil em 2026, segundo estimativas do mercado.
Gráfico em alta destaca a projeção de inflação de 4,06% para 2026, refletindo as expectativas do mercado financeiro sobre o comportamento dos preços no Brasil.

Inflação brasileira pode alcançar 4,06% em 2026 enquanto economia mundial desacelera

O mercado financeiro brasileiro revisou suas projeções para a inflação de 2026, estabelecendo a expectativa em 4,06%, acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central. Os números divulgados pelo boletim Focus revelam um cenário desafiador para a economia nacional, que precisará equilibrar crescimento, controle de preços e estabilidade fiscal em ano eleitoral.

PIB deve crescer abaixo do esperado

As estimativas apontam crescimento econômico de apenas 1,8% para 2026, mantendo-se no mesmo patamar projetado para 2027. A taxa é considerada modesta quando comparada ao desempenho de 3,4% registrado em 2024, refletindo o impacto dos juros elevados sobre investimentos e consumo.


Selic permanece em patamar recorde

Com a taxa básica de juros em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos, o Banco Central busca conter pressões inflacionárias. A expectativa é que cortes na Selic começam apenas em março, levando a taxa para 12,25% até o final do ano. Esse diferencial de juros torna o Brasil atrativo para capital estrangeiro, mas encarece o crédito e desestimula atividades produtivas.

Economia mundial em ritmo lento

O cenário internacional também não oferece alívio. Economias desenvolvidas como Estados Unidos, Alemanha e Japão devem crescer abaixo de 2%, enquanto a China enfrenta desafios estruturais com previsão de expansão em torno de 4%. Apenas a Índia se destaca, mantendo crescimento acima de 6% e consolidando posição entre as economias mais dinâmicas do planeta.

Desafios fiscais pressionam expectativas

A combinação de gastos públicos elevados em ano eleitoral com políticas de estímulo ao consumo preocupa analistas. A isenção do Imposto de Renda deve injetar R$ 28 bilhões na economia, mas o impacto sobre a inflação ainda é incerto.

O dilema brasileiro para 2026 está claro: como estimular crescimento sem perder o controle dos preços. A resposta dessa equação complexa definirá não apenas o rumo econômico, mas também o cenário político das eleições. O país enfrenta o desafio de encontrar equilíbrio entre desenvolvimento social e responsabilidade fiscal em um momento crucial de sua história recente.