Ex-presidente dos Estados Unidos em pronunciamento enfático sobre política externa após declaração do Hemisfério Ocidental como zona exclusiva dos EUA.
Ex-presidente dos Estados Unidos em pronunciamento enfático sobre política externa após declaração do Hemisfério Ocidental como zona exclusiva dos EUA.

EUA declara Hemisfério Ocidental como zona de interesse exclusivo e revive Doutrina Monroe

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou oficialmente que o Hemisfério Ocidental constitui zona de interesses exclusivos do país. A declaração ressuscita Doutrina Monroe de 1823, que estabelecia princípio de não-interferência européia nas Américas enquanto reservava aos EUA papel de potência hegemônica regional. A nova formulação ocorre após operação militar na Venezuela e ameaças à Groenlândia e Colômbia.

Contexto histórico da Doutrina Monroe

Presidente James Monroe proclamou em 1823 que qualquer tentativa de potências européias de colonizar ou interferir em nações americanas seria vista como ato hostil contra Estados Unidos. A doutrina justificou intervenções norte-americanas na América Latina durante século XX, incluindo derrubadas de governos, apoio a ditaduras e invasões militares. A nova declaração revive essa tradição de intervencionismo.


Implicações para autonomia latino-americana

A política desafia noções de soberania nacional e autodeterminação que emergiram após descolonização. Países latino-americanos buscaram nas últimas décadas diversificar relações internacionais, estabelecendo parcerias com China, Rússia e outras potências. Declaração dos EUA sinaliza rejeição dessa multipolaridade e tentativa de restaurar esfera de influência exclusiva.

Reações de aliados e adversários

China e Rússia condenaram declaração como manifestação de mentalidade imperialista desatualizada. Países europeus mantiveram silêncio, possivelmente temendo que rejeição explícita prejudique aliança atlântica. Nações latino-americanas dividem-se entre aquelas alinhadas com Washington e as que buscam preservar margem de manobra diplomática.

A declaração representa abandono de décadas de retórica sobre ordem internacional baseada em regras e igualdade soberana de Estados. Washington explicita que vê Américas como área de prerrogativa especial, onde interesses norte-americanos superam princípios jurídicos internacionais. O mundo multipolar emergente confronta tentativa dos EUA de preservar unipolaridade regional no hemisfério que considera seu “quintal”.