Por que a Venezuela tem mais reservas de petróleo que o Brasil, mas produz menos

A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, com cerca de 300 bilhões de barris mapeados em seu subsolo, especialmente na região do Orinoco. Essa quantidade supera em muito as reservas brasileiras, que somam dezenas de bilhões de barris principalmente no pré-sal. No entanto, essa vantagem geológica não se traduz em maior produção de petróleo no presente, e diversos fatores explicam esse paradoxo.

Diferença entre reservas e produção

Reservas de petróleo representam o volume de óleo ainda descoberto e tecnicamente recuperável sob certas condições econômicas, mas esse número não indica automaticamente quanto será extraído. O Brasil consegue produzir vários milhões de barris por dia, impulsionado por investimentos em tecnologia no pré-sal e uma indústria petrolífera moderna. Já a Venezuela, apesar das reservas enormes, produz uma fração desse volume, medindo cerca de 1 milhão de barris diários atualmente, um nível bem inferior ao de países com reservas menores.

Desafios técnicos e estruturais

Boa parte do petróleo venezuelano é extra-pesado, um tipo de óleo mais difícil e caro de extrair e refinar. Esse tipo de petróleo exige processos mais complexos e maior volume de investimentos para ser processado em comparação com óleos mais leves ou convencionais. Além disso, a infraestrutura do país — incluindo oleodutos, refinarias e plataformas de extração — sofreu anos de deterioração por falta de manutenção e investimentos, o que reduz a capacidade de produção e transporte.

Falta de investimento e gestão

Outro fator importante é a gestão da estatal PDVSA e o histórico de nacionalizações. Ao longo das últimas décadas, políticas de controle estatal e a retirada de empresas estrangeiras experientes em tecnologia petrolífera limitaram o fluxo de capital e know-how para o setor. A falta de investimentos contínuos e de mão-de-obra qualificada impactou negativamente a eficiência produtiva e a capacidade de reinvestir nas operações.


Sanções internacionais e ambiente político

Sanções econômicas impostas por nações como os Estados Unidos também restrigem o acesso a mercados, financiamentos e tecnologia, contribuindo para a estagnação da produção. Essas restrições reduzem o interesse de investidores externos e dificultam a renovação de equipamentos e a expansão da capacidade produtiva.

Conclusão

Em síntese, o fato de a Venezuela ter mais petróleo “no papel” do que o Brasil não garante maior produção. Fatores geológicos, tecnológicos, políticos e econômicos limitam a capacidade de transformar reservas em produção diária significativa. Enquanto o Brasil aproveita melhor sua estrutura de extração e os investimentos no pré-sal, a Venezuela enfrenta desafios que mantêm sua produção em níveis modestos, apesar de suas vastas reservas.