Negociações da sucessão de Lewandowski giram em torno da PF

A movimentação nos bastidores do Palácio do Planalto indica que a sucessão de Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça e Segurança Pública entrou em um estágio crítico. Segundo apuração da jornalista Andréia Sadi, o governo busca um nome que garanta não apenas a continuidade técnica da pasta, mas, principalmente, a blindagem institucional da Polícia Federal (PF) contra interferências políticas.

O perfil do sucessor e a autonomia da PF

O debate central entre o presidente Lula e seus conselheiros mais próximos gira em torno da manutenção da autonomia conquistada pela PF nos últimos anos. Há um consenso de que qualquer sinal de politização na corporação poderia gerar crises institucionais profundas e desgaste para o governo, especialmente em um ano em que grandes investigações continuam em curso.

A escolha do novo ministro deve recair sobre um perfil que possua trânsito tanto no Poder Judiciário quanto nas forças de segurança, servindo como um “amortecedor” de pressões externas. Nomes da confiança direta do presidente e técnicos com histórico de atuação em tribunais superiores estão sendo avaliados sob o critério rigoroso da “isenção operacional”.


Pressões políticas e segurança pública

Além da questão da PF, o sucessor de Lewandowski herdará o desafio de consolidar o Plano Nacional de Segurança Pública. Partidos da base aliada tentam emplacar nomes políticos na pasta, visando maior controle sobre recursos e vitrines eleitorais. No entanto, o Planalto sinaliza que a Justiça deve permanecer como uma “cota pessoal” do presidente, priorizando a estabilidade jurídica em detrimento de acordos partidários imediatos.

O atual ministro, Ricardo Lewandowski, tem sido um defensor da separação clara entre as decisões administrativas e as operações de campo, modelo que o governo deseja perpetuar para evitar ruídos com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Cronograma da transição

A expectativa é que o anúncio oficial do novo titular da Justiça ocorra nas próximas semanas. Até lá, Lewandowski segue no comando, coordenando a transição interna e garantindo que as principais diretorias da PF e da Secretaria Nacional de Segurança Pública mantenham o ritmo de trabalho sem interrupções provocadas pela troca de comando.