Fachada da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), órgão que alerta para riscos de ataques e ameaças durante as eleições de 2026 no Brasil
Fachada da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), órgão que alerta para riscos de ataques e ameaças durante as eleições de 2026 no Brasil

Abin alerta para risco de novo ataque antidemocrático em eleições 2026

A Agência Brasileira de Inteligência divulgou relatório alertando que a segurança do processo eleitoral de 2026 aparece como o primeiro dos cinco maiores riscos ao país. Mesmo com Jair Bolsonaro preso por tentativa de golpe, a Abin avalia que a próxima disputa não estará livre de campanhas de deslegitimação. O extremismo político, ao fornecer narrativas de deslegitimação, pode implicar ameaças concretas como aquelas que culminaram nos eventos de 8 de janeiro de 2023.

Papel das redes sociais e IA

O documento destaca que a efervescência digital de militantes da extrema-direita desaguou no ataque de 8 de janeiro em Brasília. Redes sociais e aplicativos de mensagens têm grande capacidade de disseminar desinformação, discurso de ódio e teorias conspiratórias. Seus algoritmos são elaborados para provocar máximo engajamento, produzindo bolhas de desinformação. O perigo será amplificado pela inteligência artificial generativa e deepfakes, inaugurando nova era de manipulação política.


Big techs como ameaça estratégica

A Abin classifica a dependência tecnológica como vulnerabilidade grave e imediata ao Brasil. As grandes empresas de tecnologia controlam infraestruturas de comunicação, fluxos de informação, identidade digital, depósitos de dados em nuvem, autenticação bancária e gestão de dados públicos. Diferentemente do primeiro mandato de Trump, agora as big techs estão alinhadas à Casa Branca, representando risco amplo que vai além do período eleitoral.

Desafio da confiança no sistema

Segundo a agência, os tribunais viraram campos de batalha pós-urna, com a contestação preparada antes mesmo do resultado como estratégia política. O desafio não está apenas na apuração dos votos, mas em preservar a percepção de que o eleitor é o árbitro final. A democracia não se sustenta se as pessoas acreditam que o resultado está sendo decidido fora da urna. O risco maior não é perder eleições, mas perder a confiança no próprio sistema que as legitima, segundo análise apresentada no documento oficial.