As eleições de meio de mandato do Congresso dos Estados Unidos em novembro de 2026 revelarão se a democracia americana e suas proteções constitucionais permanecem intactas ou se período “América Primeiro” está destinado a durar muito mais tempo. Nunca, nas últimas décadas, eleições legislativas norte-americanas pareceram tão consequenciais tanto para Estados Unidos quanto para ordem mundial. O que começou como quebra tática de normas transformou-se em mudança sistêmica.
Revolução institucional em curso
A tentativa de Donald Trump de desmantelar sistematicamente freios a seu poder, capturar maquinaria governamental e transformá-la em arma contra inimigos domésticos representa transformação ao nível do sistema. Muitas proteções que funcionaram no primeiro mandato de Trump agora cedem. Não é mais possível afirmar com confiança que tipo de sistema político os EUA terão quando revolução terminar. Embora seja mais provável que revolução fracasse do que triunfe, não haverá retorno ao status quo anterior.
Ordem global em fragmentação
A Estratégia de Segurança Nacional torna oficial recuo norte-americano da primazia global, declarando que “dias em que Estados Unidos sustentavam ordem mundial inteira como Atlas acabaram”. Arquitetura neoliberal baseada em regras se decompõe, poder se difunde, e grande parte do mundo busca novos modelos. Protecionismo, blocos regionais e política de poder cru substituem multilateralismo que caracterizou décadas pós-Guerra Fria.
Europa e Ásia aguardam sinal
Aliados tradicionais nos dois hemisférios observam ansiosamente se eleitores norte-americanos rejeitarão ou endossarão transformação radical em curso. Resultado determinará se Washington pode ser contado como parceiro previsível ou se nações devem acelerar construção de autonomia estratégica. China, Rússia e potências médias calculam quanto espaço terão para ações assertivas caso Estados Unidos continuem voltados para dentro.
Esperança não é estratégia
Embora esperança seja sentimento humano comum, não constitui estratégia viável. Resultados eleitorais dirão se Estados Unidos permanecem comprometidos com princípios democráticos ou embarcam em caminho autoritário que remodelaria completamente equilíbrio geopolítico global. Para mundo interconectado, estabilidade da maior economia e força militar do planeta importa tanto quanto dinâmicas domésticas norte-americanas.
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