Um aumento significativo de 28,6% nas exportações brasileiras para a China entre agosto e novembro de 2025 compensou a queda abrupta nas vendas para os Estados Unidos, causada pelas sobretaxas tarifárias impostas pelo governo americano. De acordo com o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o valor das exportações para os EUA recuou 25,1% no mesmo período, enquanto o volume físico destinado à China subiu 30%.
A China, principal parceiro comercial do Brasil e destino de cerca de 30% das exportações nacionais, teve papel decisivo para mitigar os efeitos do “tarifaço” americano. Em relatório, a FGV avaliou que o presidente dos EUA, Donald Trump, “superestimou a capacidade dos Estados Unidos em provocar danos gerais às exportações brasileiras”. A pesquisadora Lia Valls, do Ibre/FGV, destacou que um dos fatores para o desempenho positivo foi a concentração dos embarques de soja no segundo semestre.
Impacto setorial e negociações em curso
Os setores mais afetados pelas tarifas americanas foram extração de minerais não-metálicos (-72,9%), fabricação de bebidas (-65,7%) e produção florestal (-60,2%). Apesar das quedas, o saldo comercial brasileiro se manteve positivo: no acumulado até novembro, as exportações totais cresceram 4,3% ante 2024, com superávit de US$ 57,84 bilhões no ano.
Em novembro, os EUA removeram a tarifa adicional de 40% sobre 269 produtos brasileiros, incluindo carnes e café, mas 22% da pauta exportadora para aquele país segue sob sobretaxas. As negociações bilaterais continuam, com diálogo direto entre os presidentes Lula e Trump.
Desempenho com outros parceiros
As exportações para a Argentina, terceiro maior destino, cresceram 5% em valor (agosto-novembro), mas sua participação é considerada pequena para compensar o impacto das tarifas americanas. Em outubro, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 2,77 bilhões com a China, enquanto manteve déficit de US$ 1,76 bilhão com os EUA.
Perspectivas
Apesar da melhora pontual, analistas alertam para a dependência do mercado chinês e a volatilidade das negociações comerciais globais. Para 2026, projeta-se um superávit comercial de cerca de US$ 70 bilhões, impulsionado pela desaceleração das importações e pela força contínua das exportações.




































































