Lula veta PL da Dosimetria em cerimônia de 8 de janeiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, nesta quinta-feira (8), o veto integral ao Projeto de Lei da Dosimetria de Penas. O ato ocorreu durante a cerimônia que marca os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília. O projeto buscava alterar critérios de punição para crimes específicos, mas foi barrado pelo Executivo sob a justificativa de contrariedade ao interesse público.

Argumentos para o veto e segurança jurídica

De acordo com a mensagem enviada ao Congresso Nacional, o governo argumenta que o PL da Dosimetria poderia gerar interpretações ambíguas e fragilizar a punição de atos contra o Estado Democrático de Direito. A equipe jurídica do Planalto avaliou que as mudanças propostas pelo Legislativo criariam lacunas que beneficiariam condenados por ataques às instituições.

O veto foi anunciado em um momento simbólico, reforçando o discurso de defesa das instituições democráticas. O governo sustenta que o Código Penal já possui mecanismos suficientes para garantir a proporcionalidade das penas, e que qualquer flexibilização neste momento enviaria uma mensagem equivocada à sociedade sobre a gravidade dos atos antidemocráticos.


Impacto no Congresso e próximos passos

A decisão de Lula agora retorna ao Congresso Nacional, que terá o poder de manter ou derrubar o veto em sessão conjunta. Lideranças da oposição já sinalizaram que pretendem articular a derrubada do veto, alegando que o projeto visava corrigir “excessos” e garantir o direito à individualização da pena.

Por outro lado, parlamentares da base governista defendem que o veto é essencial para evitar a impunidade. O debate deve dominar a pauta legislativa nas próximas semanas, intensificando a polarização entre os poderes Executivo e Legislativo sobre os desdobramentos jurídicos das condenações relativas aos eventos de 2023.

Solenidade no Palácio do Planalto

A assinatura do veto foi o ponto alto de uma cerimônia que reuniu chefes dos poderes e representantes do Judiciário. Durante o evento, foi reafirmado o compromisso com a preservação da memória e a defesa da Constituição. A escolha da data para a assinatura do veto foi estratégica, visando consolidar a narrativa de rigor contra crimes que atentem contra a estabilidade do país.