A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu arquivar uma representação que pedia a abertura de investigação sobre a conduta do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em episódios relacionados ao Banco Master. O despacho, assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet, sustenta que não foram apresentados “elementos concretos” capazes de justificar a apuração formal.
O que motivou o pedido e por que foi arquivado
A solicitação de investigação foi protocolada por um advogado e mencionava reportagens sobre contatos de Moraes com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, além de questionamentos envolvendo um contrato atribuído à esposa do ministro com a instituição financeira. Na avaliação da PGR, a narrativa apresentada não veio acompanhada de indícios materiais suficientes para abrir procedimento investigativo, motivo pelo qual o pedido foi encerrado na origem.
Repercussão política e disputa de versões
A decisão teve reação imediata no debate público: parlamentares e lideranças políticas passaram a usar o arquivamento tanto como argumento de que não há irregularidade demonstrada quanto como combustível para críticas ao Supremo e às instituições de controle. Em paralelo, reportagens registraram a posição de Moraes de que as conversas citadas tiveram outra motivação, relacionada a temas sensíveis de ordem financeira e institucional.
O que a decisão significa na prática
Arquivar uma representação não equivale a “blindar” autoridades de futuras apurações: significa, naquele momento, que o órgão acusatório não identificou base mínima para investigação. Se surgirem fatos novos, documentos ou provas, o assunto pode voltar a ser analisado. O caso também evidencia o papel da PGR como filtro institucional para evitar investigações sem lastro, preservando — em tese — a racionalidade do sistema.
Clima institucional: tensão recorrente entre Poderes
O episódio acontece em um ambiente já marcado por atritos políticos em torno de decisões do STF e de seus ministros, com pressão pública, disputas narrativas e tentativas de politização de atos judiciais. Em cenários assim, a transparência sobre fundamentos e limites legais tende a pesar mais do que o volume de declarações.
Para além do caso concreto, a pergunta que fica é como equilibrar controle e responsabilidade pública sem transformar suspeitas em instrumentos de disputa política. Em democracias maduras, a resposta costuma estar menos no “barulho” e mais na qualidade das evidências e na robustez dos ritos institucionais.
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