No encerramento de 2025, o Banco Central (BC) reforçou a mensagem que vem guiando a política monetária: controlar a inflação continua sendo prioridade, mesmo com o custo de manter o crédito caro. Na última reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano e indicou que pretende sustentar a estratégia por um período prolongado, acompanhando dados e expectativas.
Selic em 15%: por que o BC insiste no freio
A Selic é a taxa de referência para os juros cobrados em financiamentos, cartões e empréstimos. Quando fica elevada, tende a esfriar consumo e investimentos, ajudando a reduzir a pressão sobre os preços — mas também encarece o dia a dia das famílias e o capital de giro das empresas. Ao manter 15% pela quarta vez seguida, o Copom buscou sinalizar previsibilidade e firmeza no combate à inflação.
Inflação e expectativas: melhora lenta, vigilância constante
As projeções mais recentes do mercado apontam inflação de 2025 em 4,32%, ainda acima do centro da meta de 3%, mas abaixo do teto do intervalo de tolerância (4,5%). Esse movimento ajuda a explicar a cautela: o BC reconhece sinais de arrefecimento, porém quer evidências consistentes de convergência antes de abrir espaço para cortes.
Efeito no bolso: crédito caro, consumo seletivo
Na prática, juros altos costumam apertar o orçamento e elevar o custo de rolar dívidas. Do lado das empresas, o impacto aparece no financiamento de estoques e investimentos, o que pode reduzir contratações e postergar expansões. O BC, por sua vez, tenta equilibrar esse custo com o objetivo de evitar que a inflação corroa renda e poupança.
Além dos juros: segurança do sistema e Pix no radar
Em paralelo, o BC também avançou em medidas de segurança e governança do sistema financeiro. Em 2025, houve iniciativas para endurecer regras e reduzir brechas usadas em fraudes, em especial no ecossistema de pagamentos. Esses movimentos reforçam que o trabalho do BC vai além da Selic: envolve a estabilidade e a confiança no funcionamento do dinheiro no dia a dia.
A virada para 2026 começa com uma pergunta simples — quando os juros podem cair sem reacender a inflação? A resposta, ao que tudo indica, dependerá menos de promessas e mais da combinação entre dados de preços, atividade e expectativas: o trio que, hoje, dita o ritmo do Banco Central.


































































