A Starlink, empresa de internet via satélite de Elon Musk, amplia sua presença no Brasil com um foco estratégico: conectar escolas públicas em áreas rurais remotas do Nordeste até 2026. A iniciativa integra esforços do governo federal e parcerias privadas para levar internet de alta velocidade a regiões historicamente excluídas digitalmente, onde a fibra óptica é inviável.
O movimento acontece após uma autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que aprovou a expansão da operação da Starlink no país. A empresa agora tem autorização para lançar e operar 7.500 novos satélites de órbita baixa, ampliando significativamente sua capacidade de oferecer cobertura nacional com maior velocidade e menor latência.
Conectividade como ferramenta de inclusão
O plano se insere no contexto da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), que tem a meta de conectar 138 mil escolas públicas do ensino básico até 2026. Parte desse esforço depende da tecnologia de satélite para atender cerca de 20 mil escolas que estão a mais de 10 quilômetros de redes de fibra óptica, uma realidade comum no interior nordestino.
Antes das iniciativas atuais, comunidades como a de Itaquera, no Amazonas, já experimentavam a transformação trazida pelo serviço da Starlink, saindo de um completo isolamento para ter acesso a recursos educacionais online e comunicação. O cenário se repetirá em milhares de salas de aula rurais, onde a conexão permitirá videochamadas, transmissão de aulas em tempo real e acesso a plataformas digitais de ensino.
Parcerias público-privadas em andamento
A chegada da Starlink a essas localidades tem sido viabilizada por meio de parcerias. Um modelo já foi testado em outros estados: em julho de 2025, a TIM anunciou uma parceria com a Starlink para conectar gratuitamente 1,8 mil escolas em áreas remotas do Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O sucesso dessa operação serve de base para a expansão planejada no Nordeste.
Embora os contratos específicos para a região ainda estejam em desenvolvimento, o Ministério das Comunicações já tem um programa estruturado para usar satélites, incluindo o SGDC brasileiro e de empresas parceiras, para alcançar escolas remotas. A Starlink se posiciona como uma fornecedora-chave nesse ecossistema devido à sua rede massiva e em rápida expansão.
Impacto que vai além da sala de aula
A conectividade via satélite promete impacto social e econômico amplo. Além da educação, comunidades rurais ganharão capacidade para acessar serviços de telemedicina, modernizar o agronegócio com agricultura de precisão e melhorar a comunicação em geral. A tecnologia também é crucial para segurança, permitindo chamadas de emergência onde não há sinal de telefonia.
O avanço, no entanto, ocorre em um cenário de crescente concorrência e atenção regulatória. A Anatel emitiu um alerta regulatório ao aprovar a expansão da Starlink, sinalizando a necessidade de atualizar as normas para lidar com questões de soberania digital, sustentabilidade espacial e concorrência no setor de satélites. Além disso, a empresa chinesa SpaceSail também anunciou planos de começar a operar no Brasil em 2026, oferecendo serviço similar.
Para milhões de estudantes e professores no Nordeste rural, a promessa é que o futuro digital, até 2026, finalmente deixe de ser uma distante ficção científica e se torne uma realidade concreta, transmitida diretamente do espaço para as salas de aula.































































