Seca histórica derruba volume do Cantareira e coloca abastecimento de São Paulo em risco em 2026

O Sistema Cantareira, principal conjunto de reservatórios que abastece cerca de 9 milhões de pessoas na capital e Região Metropolitana de São Paulo, enfrenta uma queda drástica no volume de água útil e está operando em níveis críticos, com cerca de 19 % da capacidade total, de acordo com análises feitas a pedido do G1. A estiagem registrada em 2025 — uma das mais severas da última década — é apontada como causa principal da deterioração da situação hídrica.

Menor volume desde crise hídrica de 2014

O índice atual de volume no Cantareira é o menor desde a crise hídrica histórica de 2014-2015, quando os reservatórios ficaram em níveis extremamente baixos. A falta de chuva expressiva em 2025 — com pouco mais de 900 mm de precipitação registrada na bacia — contribuiu para a redução acentuada da água armazenada no sistema.

Reservatórios que operam com menos de 30 % de sua capacidade ativam protocolos de restrição, em que a quantidade de água retirada para abastecimento é reduzida para tentar equilibrar oferta e demanda. Atualmente, devido ao baixo volume, a capacidade de distribuição é menor, com impacto na pressão da água nas torneiras e potencial racionamento em áreas mais altas ou periféricas da cidade.


Riscos para 2026

Pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) destacam que, mesmo no cenário mais otimista de chuva para os próximos meses, o Cantareira pode enfrentar dificuldades em manter níveis minimamente sustentáveis ao longo de 2026. Isso significa que a distribuição de água pode permanecer sob restrições prolongadas, com redução da vazão e potencial para interrupções pontuais em áreas mais vulneráveis.

Especialistas alertam que a região poderá enfrentar restrição de abastecimento de água ao longo do ano, cenário semelhante ao vivido durante a crise anterior, caso as chuvas não se normalizem ou se intensifiquem significativamente.

Causas da deterioração do volume

A seca prolongada no Sudeste — combinada com chuvas abaixo da média para a estação — e a alta demanda por água em períodos de calor intenso agravaram a situação do Cantareira. A falta de recarga adequada dos mananciais durante a estação chuvosa de final de 2025 impediu a recuperação dos níveis de água, que permaneceram baixos apesar da fase que normalmente registraria mais precipitação.

Encerramento

Com o volume do Sistema Cantareira em patamares críticos e projeções apontando para um ano com restrições no abastecimento de água em São Paulo e região metropolitana, autoridades e especialistas reforçam a necessidade de planejamento e medidas de uso racional da água para evitar agravamento da crise ao longo de 2026.