COP30
A scenery of stumps in the middle of a beautiful green forest

Brasil registra queda no desmatamento às vésperas da COP30

Na véspera da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, Pará, entre 10 e 21 de novembro de 2025, o Brasil apresentou ao mundo um legado ambiental em construção . O dado mais emblemático foi a confirmação oficial de que o desmatamento na Amazônia Legal atingiu 5.796 km² entre agosto de 2024 e julho de 2025, representando uma queda de 11% em relação ao período anterior e sendo a terceira menor taxa da série histórica .

Esta é a terceira redução anual consecutiva desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acumulando uma redução de 50% na taxa de desmatamento em comparação com 2022 . Para o governo, os números são o resultado direto da reestruturação da governança ambiental e de ações coordenadas, incluindo planos de ação para controle do desmatamento e a intensificação da fiscalização por órgãos como o Ibama e o ICMBio .

Um evento histórico na Amazônia

A escolha de Belém como sede da COP30 foi estratégica. Durante o evento, mais de 500 mil acessos foram registrados, colocando a Amazônia no centro da agenda climática global . A cidade, que recebeu cerca de 40 mil visitantes nos dias principais da conferência, teve a oportunidade de discutir o futuro da floresta em seu próprio território .


O discurso de abertura do presidente Lula refletiu este simbolismo: “Uma coisa é discutir a Amazônia no Egito… outra é discutir a importância da Amazônia dentro da Amazônia” .

A COP30 também se destacou por ser o evento com a maior participação indígena da história, viabilizando a discussão sobre proteção de territórios . Para garantir o legado sustentável, o evento foi certificado como carbono zero, com 130 mil toneladas de CO₂ compensadas .

Os resultados da conferência e os novos compromissos

Após duas semanas de negociações, a COP30 concluiu com a assinatura do Pacote Político de Belém (Belém Political Package) . O acordo destacou a necessidade de triplicar o financiamento para países em desenvolvimento se protegerem dos impactos climáticos e aumentarem o apoio a trabalhadores na transição energética .

Um dos marcos da conferência foi o lançamento do Fundo Tropical para Florestas Eternas (Tropical Forest Forever Facility), uma proposta brasileira que visa tornar as florestas em pé mais valiosas economicamente do que as derrubadas . O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, reforçou a importância da iniciativa, afirmando que “sem as florestas tropicais, não há caminho para limitar o aquecimento global a 1,5°C” .

A conferência foi realizada em um cenário de “águas políticas turbulentas”, como observou o secretário executivo da ONU para Mudança Climática, Simon Stiell. Mesmo assim, ele avaliou que “a COP30 mostrou que a cooperação climática está viva… mantendo a humanidade na luta por um planeta habitável” .