Enquanto as luzes natalinas se apagam, o céu de janeiro oferece seu próprio espetáculo de fim de ano. O mês, tradicionalmente marcado pelas férias, reserva dois eventos astronômicos de grande beleza: a intensa chuva de meteoros Quadrantídeas e a presença dominante do planeta Vênus no horizonte oeste.
O ápice das Quadrantídeas ocorre na madrugada de 3 para 4 de janeiro, com uma taxa horária zenital que pode chegar a 120 meteoros, rivalizando com as famosas Perseidas de agosto. Apesar da Lua Crescente interferir um pouco na observação, o fenômeno promete um show para quem estiver disposto a acordar cedo. O melhor horário para observação é a partir da 1h da manhã, olhando na direção nordeste, próximo à constelação do Boieiro. O fenômeno, resultado dos detritos deixados pelo asteroide 2003 EH1, é conhecido por produzir meteoros brilhantes e, por vezes, bolas de fogo.
Enquanto a noite é pontuada por “estrelas cadentes”, o crepúsculo é dominado por Vênus. O planeta mais brilhante do céu se posiciona como uma “estrela da tarde” inconfundível, logo após o pôr do sol, a oeste. Com magnitude de -4,0, seu brilho prateado é o objeto celeste mais reluzente após o Sol e a Lua, facilmente visível mesmo em áreas com certa poluição luminosa.
Para os astrônomos amadores e entusiastas, é uma oportunidade única. Basta um local afastado das luzes da cidade, um pouco de paciência e olhos voltados para o céu para testemunhar a dualidade do mês: a dança fugaz dos meteoros na madrugada e a constância majestosa de Vênus no fim da tarde. Janeiro, assim, inicia o calendário cósmico de 2024 com um convite à contemplação.































































