Banco Mercantil despenca mais de 15% após acordo bilionário com a Fazenda e anúncio de aumento de capital
As ações do Banco Mercantil do Brasil registraram forte queda nesta sexta-feira (26), após a instituição anunciar um acordo de transação tributária com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e, simultaneamente, um aumento de capital de grande porte.
Por volta das 11h30, os papéis do banco recuavam 15,52%, sendo negociados a R$ 71,81, refletindo a reação negativa do mercado aos impactos financeiros imediatos da operação.
O acordo firmado com a União encerra aproximadamente 96% de todos os litígios judiciais e administrativos mantidos pelo conglomerado ao longo de mais de uma década. A dívida original envolvia cerca de R$ 2,5 bilhões, relacionados a aproximadamente 20 processos judiciais e 10 administrativos.
Após a aplicação de descontos sobre multas e juros, o Banco Mercantil se comprometeu a realizar o pagamento à vista de mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos. A transação também regulariza 33 débitos, inscritos ou não em dívida ativa, eliminando de forma definitiva uma das maiores disputas jurídicas da história da instituição.
Em nota, o diretor financeiro do banco, Paulino Rodrigues, afirmou que o acordo permite virar a página de um passivo relevante.
“Resolvemos uma questão de longo prazo e permitimos que o banco siga focado exclusivamente na execução de sua estratégia de negócios”, declarou.
Aumento de capital pressiona ações
Paralelamente ao acordo com a Fazenda, o Banco Mercantil anunciou um aumento de capital de até R$ 500 milhões, medida que visa recompor a estrutura de capital após a liquidação do passivo tributário.
A operação prevê a emissão de novas ações, com direito de preferência aos atuais acionistas, conforme determina a Lei das Sociedades por Ações. Segundo a administração, a capitalização busca preservar os índices prudenciais e sustentar o plano de crescimento da instituição.
“O acordo com a PGFN e o aumento de capital possibilitam realizar a transação com impactos mínimos nos índices de capitalização do banco e mantêm inalterados nossos planos de expansão”, afirmou o CFO.
Caso o aumento seja realizado no valor máximo aprovado, o capital social do grupo poderá alcançar R$ 953,1 milhões, dividido em aproximadamente 123,8 milhões de ações.
Apesar do reforço estrutural de longo prazo, investidores reagiram com cautela ao desembolso imediato e à diluição potencial, o que explica a forte pressão sobre os papéis nesta sessão.



































































