Depois de 2025 marcado pela centralidade do Brasil no debate climático global, agronegócio entra em 2026 diante de ambiente regulatório mais exigente. Discussões realizadas durante conferência climática da ONU deixaram de ser compromissos diplomáticos e passaram a influenciar diretamente acesso ao crédito rural, seguro agrícola, mercados internacionais e políticas públicas. Agenda ambiental integra cálculo econômico da produção agropecuária.
Seguro rural sem proteção orçamentária
Produtor rural começa 2026 com péssima notícia: presidente Lula vetou dispositivo que impedia contingenciamento de despesas com subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. Não há garantia de recursos para PSR. Sistema Faep aponta que medida coloca setor agropecuário em risco: “Há anos governo federal não leva a sério seguro rural, ferramenta muito importante diante das recorrentes intempéries climáticas”.
Crédito condicionado à conformidade
Instituições financeiras, programas oficiais de financiamento e compradores internacionais caminham para exigir comprovação de regularidade ambiental, rastreabilidade e adoção de práticas alinhadas à redução de emissões. Inadimplência no crédito rural com taxas de mercado alcançou 11,4% em outubro, maior valor desde início da série histórica em 2011. Principais causas são problemas climáticos, queda nos preços das commodities e alta nos custos.
Mercado de carbono e exportações
Criação do sistema brasileiro de comércio de emissões abre oportunidades mas exige cautela. Expectativa é de avanço na regulamentação ao longo de 2026, definindo quem poderá gerar créditos. Incapacidade de diferenciar desmatamento legal do ilegal amplia vulnerabilidade a restrições comerciais. Possíveis tarifas de 40% dos EUA podem impactar até US$ 2,7 bilhões em exportações agropecuárias brasileiras anualmente.
Cenário que se desenha é de agronegócio pressionado a demonstrar eficiência produtiva aliada à conformidade ambiental. Desafio não está apenas em produzir mais, mas em provar com dados como produção acontece. Abre-se espaço para políticas que combinem exigências ambientais com incentivos econômicos, desde que setor consiga posicionar-se de forma organizada e estratégica diante dessa nova realidade.
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