A inflação ao consumidor na China acelerou em dezembro de 2025, alcançando o nível mais alto em quase três anos, com inflação anual de 0,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com dados oficiais. Esse resultado foi o mais forte desde fevereiro de 2023 e sinaliza algumas melhorias nos preços ao longo do ano.
Apesar dessa alta recente, a situação econômica chinesa segue marcada por pressões deflacionárias profundas, sobretudo no setor de produção. Enquanto o índice de preços ao consumidor (CPI) avançou, o índice de preços ao produtor (PPI) permaneceu em queda significativa, estendendo por mais de três anos o ciclo deflacionário nas fábricas e dificuldades de absorção da oferta.
O que impulsionou a inflação
O aumento da inflação ao consumidor foi impulsionado, sobretudo, pelos preços de alimentos, que registraram altas expressivas em itens como hortaliças frescas e carnes. As compras em período pré-feriado e políticas de apoio à demanda também ajudaram a elevar os preços no varejo, embora esses efeitos ainda não indiquem uma recuperação robusta da economia interna.
Especialistas destacam que esse avanço no CPI pode refletir mais efeitos sazonais e estímulos pontuais do que uma melhora estrutural nos gastos das famílias, já que a demanda doméstica continua fraca, pressionada por desafios no mercado de trabalho e pela lenta recuperação do consumo após anos de incerteza econômica.
Deflação e desafios persistentes
Enquanto os preços ao consumidor ganham força modesta, os preços ao produtor continuam em deflação, evidenciando que empresas chinesas enfrentam dificuldades para elevar preços no atacado, mesmo com alguma recuperação no varejo. Essa disparidade mostra que a batalha contra a deflação — caracterizada por excesso de capacidade produtiva e demanda interna ainda fraca — ainda não acabou, e pode exigir estímulos adicionais por parte das autoridades.
Analistas e mercados aguardam novas medidas de política monetária e fiscal, como cortes de juros ou incentivo ao consumo, que ajudem a sustentar a atividade econômica e a fortalecer a confiança dos consumidores e empresas ao longo de 2026.
Perspectivas futuras
Mesmo com a inflação chegando ao nível mais alto dos últimos anos, a economia chinesa enfrenta um cenário misto: crescimento relativamente estável, mas pressões deflacionárias persistentes e demanda cautelosa por parte das famílias. A tendência para os próximos meses será acompanhar se os preços continuam a avançar de forma consistente e se as medidas de estímulo adotadas pelo governo conseguem equilibrar oferta e demanda no país.
































































