Uma denúncia do Banco Central ao Ministério Público Federal (MPF) revelou que quatro fundos de investimento investigados por suposta ligação com o crime organizado estão no centro de uma suspeita de fraude financeira envolvendo o Banco Master, instituição que passou por liquidação extrajudicial no final de 2025.
De acordo com a denúncia, os fundos — administrados pela Reag DTVM, empresa já alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga esquemas de lavagem de dinheiro ligados à máfia dos combustíveis e ao Primeiro Comando da Capital (PCC) — teriam participado de uma estrutura de operações destinadas a inflar artificialmente o valor dos ativos do banco e permitir que recursos voltassem ao controle de executivos ligados à instituição.
Esquema investigado
Segundo técnicos do Banco Central, as operações suspeitas envolviam uma cadeia de transações estruturadas em que o Banco Master concedia empréstimos a empresas, essas empresas aplicavam os valores em fundos de investimento, e os fundos demonstravam ativos de baixa liquidez e sobrevalorizados nas demonstrações contábeis. O efeito foi criar a impressão de que o banco possuía solidez financeira maior do que realmente tinha.
Um exemplo citado pelos investigadores indica que um ativo avaliado em R$ 100 poderia ter sido negociado internamente por R$ 1.000, elevando artificialmente o patrimônio do banco nas operações.
O material encaminhado ao MPF estima que o montante de recursos envolvidos nas transações sob suspeita pode chegar a R$ 11,5 bilhões, um valor que ajudou a motivar a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, por grave situação econômico-financeira e irregularidades que comprometeram sua solvência.
Fundos sob investigação
Os fundos citados na denúncia são administrados pela Reag DTVM, empresa que já aparece em apurações da Operação Carbono Oculto, uma investigação de grande escala da Polícia Federal e da Receita Federal que mira esquemas de lavagem de dinheiro associados ao crime organizado em setores como combustíveis.
Esses fundos teriam sido utilizados para simular aportes de capital no banco antes de sua liquidação, mas pesquisas apontam que os valores declarados estavam ligados a ativos de difícil negociação e liquidez, com preços ficticiamente inflados.
Desdobramentos da investigação
A denúncia do Banco Central ao MPF integra um dos episódios mais complexos envolvendo o caso Master, que já resultou em ações administrativas e também chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU). O processo inclui análise de crimes contra o sistema financeiro nacional, além de falhas graves na gestão de riscos por parte de administradores da instituição e dos fundos envolvidos.
Com a investigação ainda em andamento, a atuação das autoridades pode levar a novas etapas de fiscalização, possíveis indiciamentos e maior apuração dos vínculos entre fundos de investimento e estruturas de crime organizado no contexto financeiro.



























































