Ministros do TCU querem distância do caso Master e plenário deve decidir sobre inspeção no Banco Central

Ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) demonstraram nos bastidores que não desejam se envolver diretamente na controvérsia em torno da liquidação do Banco Master e da possível inspeção no Banco Central (BC), sinalizando que o pleno da Corte deve assumir a discussão e possivelmente rejeitar a medida isolada atendendo aos questionamentos regimentais e à repercussão pública.

O caso começou quando o relator do processo no TCU, ministro Jhonatan de Jesus, determinou uma inspeção in loco no Banco Central para apurar documentos e fundamentos que embasaram a decisão da autarquia de liquidar o Banco Master em novembro de 2025 — um banco médio que vinha enfrentando problemas de liquidez e foi fechado pela autoridade monetária.

Pressão e recuo da decisão individual


A determinação monocrática de inspeção provocou reação interna e externa, incluindo questionamentos regimentais pelo próprio Banco Central, que argumentou que esse tipo de medida deve ser deliberado coletivamente pelo tribunal, e não por um único ministro.

Diante da polêmica e da pressão de colegas no tribunal, o relator recuou e **suspendeu a inspeção até que o caso seja analisado pelo pleno do TCU, em sessão marcada para ocorrer após o fim do recesso — prevista para 21 de janeiro de 2026.

Posicionamento de ministros e presidente do TCU

Fontes ouvidas pelo blog indicam que diversos ministros do TCU preferem afastar a Corte da polêmica em torno do caso Master, tratando a questão com cautela institucional para não desgastar a imagem do tribunal diante da sociedade e do mercado financeiro, que acompanha atentamente os desdobramentos.

O presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, tem defendido uma análise colegiada do tema, enfatizando que o tribunal não pode reverter a liquidação do banco — uma competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal —, mas pode fiscalizar a legalidade do processo conduzido pelo Banco Central.

Contexto da controvérsia

A liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central após meses de problemas de liquidez e questionamentos sobre a emissão de dívida de alto rendimento, gerou incerteza no mercado e preocupações de investidores sobre compensações pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a condução técnica da autarquia.

A movimentação do TCU sobre o caso Master é considerada incomum, já que inspeções no Banco Central e revisões de decisões da autoridade monetária não são frequentes, e os ministros agora optam por delegar a decisão final ao plenário do tribunal para resguardar a independência institucional e evitar conflitos interpretativos sobre as competências regimentais.