Um levantamento do Supremo Tribunal Federal (STF) indica que as penas aplicadas a réus condenados por participação nos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando prédios públicos na Praça dos Três Poderes, em Brasília, foram invadidos e depredados, somam mais de 4 000 anos de prisão — o equivalente a mais de 40 séculos quando totalizadas.
O balanço divulgado pelo STF mostra que 806 pessoas foram condenadas em ações penais relacionadas aos atos antidemocráticos, incluindo 29 apontadas como líderes e organizadores que receberam as punições mais severas.
Condenações e penas aplicadas
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado no âmbito desses julgamentos e recebeu a maior pena individual, de 27 anos e 3 meses de prisão, por crimes como golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Outro réu que teve pena elevada foi o general Mário Fernandes, condenado a 26 anos e 6 meses de prisão por seu envolvimento em planos que incluíam crimes graves ligados aos ataques.
O STF promoveu pelo menos 21 julgamentos entre setembro e dezembro de 2025 para analisar a participação dos integrantes desses núcleos, resultando em diversas condenações com penas variando conforme a participação e a gravidade dos crimes atribuídos.
Contexto dos ataques
Os atos de 8 de janeiro de 2023 envolveram a invasão e depredação das sedes do Supremo Tribunal Federal, Congresso Nacional e Palácio do Planalto por apoiadores de um movimento que contestava o resultado das eleições de 2022, em uma tentativa de abalar o funcionamento das instituições democráticas no Brasil.
Até o momento, além dos condenados, há dezenas de processos ainda em tramitação no STF relativos a ações penais e inquéritos decorrentes dos eventos de 2023, com o ministro Alexandre de Moraes concentrando boa parte dos casos relacionados à trama golpista.
Possíveis desdobramentos
As condenações continuam a repercutir no cenário político e jurídico brasileiro, inclusive com projetos de lei em tramitação que visam alterar regras de cálculo de penas ou debater reduções de sentenças de condenados pelos ataques antidemocráticos.
As decisões do STF destacam a atuação da Justiça em responsabilizar quem participou da tentativa de golpe e a magnitude acumulada das penas reflete a severidade com que os crimes foram tratados pela Corte.





























































