Nesta segunda-feira (16), o governo federal inicia a liberação do primeiro lote do abono salarial relativo ao ano-base 2024 para trabalhadores brasileiros nascidos em janeiro. O benefício, que é uma importante rede de proteção social, injetará cerca de R$ 2,5 bilhões na economia ao longo desta etapa inicial, contemplando cerca de 2 milhões de beneficiários que cumpriram os requisitos legais.
O que muda no calendário e quem recebe primeiro
O abono salarial 2026, programa que paga um valor proporcional ao tempo de trabalho formal no ano-base anterior, segue um cronograma definido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Neste mês, apenas trabalhadores com nascimento em janeiro têm direito ao pagamento; os demais grupos serão atendidos de forma escalonada nos próximos meses.
O benefício contempla tanto trabalhadores com carteira assinada no setor privado — vinculados ao Programa de Integração Social (PIS) — quanto servidores públicos elegíveis ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). Para o PIS, os recursos são pagos pela Caixa Econômica Federal; já para o Pasep, o pagamento é feito pelo Banco do Brasil.
Critérios de elegibilidade e valores proporcionais
Para ter direito ao abono salarial, o trabalhador precisa cumprir uma série de critérios: estar inscrito no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos, ter atuado formalmente por, no mínimo, 30 dias em 2024 e ter recebido remuneração média mensal de até R$ 2.766 ao longo do ano-base — limite ajustado pela inflação em 2024.
O valor do abono varia de acordo com os meses trabalhados no período anterior: quem trabalhou o ano completo pode receber até R$ 1.621, enquanto quem cumpriu apenas o mínimo de 30 dias tem direito ao valor proporcional, em torno de R$ 136.
Impactos no orçamento familiar e no consumo
O início do pagamento do abono salarial representa uma injeção de recursos que pode aliviar o orçamento de famílias com menor renda. Para muitos beneficiários, o valor pode significar cobertura de despesas imprevistas ou reforço no caixa para gastos essenciais no primeiro semestre do ano. A disponibilização dos recursos em pleno mês de Carnaval também pode estimular consumo em segmentos como comércio, serviços e lazer, impactando positivamente a atividade econômica local.
Economistas lembram que programas de transferência de renda e benefícios trabalhistas não apenas garantem uma renda mínima para trabalhadores formais, como também promovem um efeito multiplicador no mercado interno, contribuindo para manter níveis de consumo e produção em equilíbrio num cenário econômico ainda marcado por desafios inflacionários.
O calendário completo prevê que os pagamentos do abono salarial continuem até agosto de 2026, com saque disponível até o fim do ano. A estimativa do MTE é de que mais de 26 milhões de trabalhadores sejam contemplados ao longo dos lotes programados, o que significa um montante que ultrapassa os R$ 30 bilhões em benefícios distribuídos ao longo do ano.
Além do impacto direto na renda dos trabalhadores, a estratégia de pagamentos escalonados pode influenciar o fluxo de caixa de empresas e instituições bancárias ao longo dos próximos meses. A perspectiva de continuidade do abono salarial como ferramenta de política social também está inserida num contexto de ajustes e reformas maiores no sistema de proteção ao trabalhador, num momento em que debates sobre reformas fiscais e trabalhistas seguem em pauta no Congresso Nacional.








































































