Em uma decisão histórica e unânime, o Congresso do Peru aprovou a destituição da presidente Dina Boluarte nesta sexta-feira (10). A moção, baseada na acusação de “incapacidade moral permanente” para enfrentar a ofensiva do crime organizado no país, recebeu 121 votos favoráveis de um total de 130 possíveis, culminando em mais um capítulo de instabilidade política na nação andina.
A votação no Congresso peruano foi convocada na madrugada desta sexta-feira (horário de Brasília) e representou o ápice de um processo acelerado. Na tarde de quinta-feira, parlamentares da oposição haviam apresentado quatro moções de destituição, argumentando que o governo de Boluarte foi ineficaz no combate à insegurança que assola o país. A então presidente foi intimada para exercer seu direito de defesa, mas optou por não comparecer ao legislativo. Seu advogado, Juan Carlos Portugal, justificou a ausência alegando que o Congresso violou o devido processo legal ao não conceder tempo hábil para a preparação de uma defesa adequada.
Imediatamente após a destituição ser aprovada, Dina Boluarte discursou no Palácio do Governo, acompanhada por todo seu gabinete. Em sua fala, ela defendeu sua administração e afirmou ter priorizado a unidade nacional. “Em todos os momentos, clamei pela unidade, pelo trabalho conjunto, pela luta pelo nosso país. Nesse contexto, não pensei em mim, mas sim nos mais de 34 milhões de peruanos”, declarou. No entanto, sua popularidade estava em níveis historicamente baixos, com uma pesquisa da Datum International apontando um índice de desaprovação de 93% da população, insatisfeita com a situação de segurança e a gestão do país.
A queda de Boluarte segue o padrão de instabilidade política recente no Peru. Ela própria havia assumido a Presidência em dezembro de 2022, após o Congresso destituir Pedro Castillo, que tentou dissolver o legislativo. Conforme estabelecido pela Constituição, o atual presidente do Congresso, José Enrique Jerí Oré, assumiu imediatamente a presidência do país, tornando-se o novo chefe de Estado. A transição ocorre em um momento de profunda crise de segurança e desconfiança nas instituições, marcando o sexto presidente do Peru em um período de apenas oito anos e levantando questões sobre a capacidade de o país encontrar uma rota de estabilidade política e social. O caso peruano se torna mais um exemplo da volatilidade democrática na região, onde acusações de “incapacidade moral” têm sido um mecanismo legislativo frequente para mudanças de governo.





































































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