As negociações climáticas da ONU — realizadas anualmente nas chamadas Conferências das Partes (COPs) — avançaram em temas importantes, como metas de redução de emissões e criação de fundos de apoio, mas continuam enfrentando fortes desafios políticos e econômicos que dificultam a implementação efetiva dos compromissos acordados pelos países.
Entre 2019 e 2023, as COPs successivas — COP25 em Madri, COP26 em Glasgow, COP27 no Egito e COP28 em Dubai — registraram importantes marcos, mas também impasses políticos que limitaram resultados práticos. Por exemplo, a COP25 terminou sem um acordo sobre mercado de carbono, enquanto a COP28 incluiu pela primeira vez no texto final uma referência à necessidade de transição dos combustíveis fósseis.
Geopolítica e interesses divergentes
As negociações climáticas são fortemente influenciadas por interesses geopolíticos e econômicos, com potências como Estados Unidos e China disputando agendas e prioridades, o que pode enfraquecer a confiança mútua e o alcance dos acordos. A retirada temporária dos EUA do Acordo de Paris sob o governo Trump é um exemplo de como choques políticos internos e rivalidades externas podem afetar o progresso global para enfrentar a mudança climática.
Outro fator são as pressões de interesses corporativos e setores energéticos que resistem à inclusão de metas ambiciosas de redução de emissões ou à eliminação de subsídios a combustíveis fósseis, diluindo textos e recomendando posições mais brandas nos documentos finais.
Financiamento climático e confiança entre países
Um dos principais pontos de tensão está relacionado ao financiamento climático, especialmente a promessa de países desenvolvidos de financiar ações de adaptação e mitigação em países em desenvolvimento. Embora fundos como o Fundo de Perdas e Danos tenham sido criados em COPs recentes, os valores efetivamente desembolsados ainda são muito inferiores ao prometido, gerando desconfiança e dificuldades na cooperação entre Norte e Sul globais.
Essa lacuna entre compromissos e recursos concretos reflete a fragilidade da governança climática internacional, que depende em grande parte de metas voluntárias e não conta com mecanismos eficazes de fiscalização ou coerção que obrigem os países a cumprirem suas promessas.
Ampliação do foco: adaptação e cooperação
Além de mitigar emissões, os debates climáticos recentes também têm dado mais atenção à adaptação às mudanças já em curso — como ondas de calor, secas e eventos extremos — e à necessidade de políticas públicas que aumentem a resiliência de populações vulneráveis, integrando questões sociais às estratégias ambientais.
Perspectivas para COP30 e além
Com a chegada da COP30 em Belém (Brasil), observa‑se um esforço para reequilibrar a agenda climática, reforçar a participação de países do Sul Global e aproximar a negociação internacional das realidades locais de países emergentes, enfrentando desigualdades históricas nos debates e exigindo maior coordenação entre governos, sociedade civil e setores econômicos.
As COPs continuam sendo um fórum essencial, mas a sua eficácia dependerá da capacidade dos países de transformar promessas em políticas e ações concretas — especialmente no que concerne ao financiamento climático, à transição energética e à cooperação multilateral sustentável.


























































