Flávio Dino em coletiva de imprensa, gesticulando com as mãos abertas diante de microfones, em enquadramento lateral e fundo escuro.
Flávio Dino em coletiva de imprensa, gesticulando com as mãos abertas diante de microfones, em enquadramento lateral e fundo escuro.

Dino veta leis que tentem validar penduricalhos pagos antes de fevereiro

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), reforçou o cerco aos chamados “penduricalhos” no serviço público ao afirmar que não é permitido editar leis para reconhecer como válidos benefícios pagos acima do teto constitucional antes de 5 de fevereiro. A decisão amplia o alcance de medidas anteriores e sinaliza postura rígida da Corte diante de tentativas de regularizar retroativamente valores já questionados.

O entendimento atinge diretamente iniciativas de assembleias legislativas e tribunais que buscavam assegurar a manutenção de adicionais e gratificações concedidos no passado. Para Dino, a criação de normas com efeito retroativo para validar pagamentos que extrapolem o teto compromete o princípio da moralidade administrativa e enfraquece a autoridade da própria Constituição.

Retroatividade sob contestação

No centro da controvérsia está a possibilidade de editar leis que “convalidem” benefícios pagos antes da data fixada pelo Supremo. A avaliação do ministro indica que tal estratégia configuraria manobra para contornar decisões judiciais já estabelecidas.


A interpretação reforça que o teto constitucional — vinculado ao subsídio dos ministros do STF — deve ser observado de forma estrita. Benefícios classificados como indenizatórios, mas que na prática elevem a remuneração acima do limite, continuam sob escrutínio.

A medida também impede que entes federativos utilizem mudanças legislativas como instrumento para blindar pagamentos anteriores de eventual revisão.

Impacto fiscal e cenário internacional

O debate ocorre em um momento de atenção redobrada às contas públicas. O controle de gastos com pessoal é tema sensível em meio ao esforço do governo federal para manter credibilidade fiscal e estabilidade macroeconômica.

Em um ambiente global marcado por conflitos armados persistentes, tensões comerciais entre grandes potências e volatilidade nos fluxos de capital, países emergentes como o Brasil dependem de previsibilidade institucional para sustentar investimentos. Decisões que sinalizam rigor na gestão de recursos públicos tendem a repercutir positivamente na percepção de risco.

Por outro lado, categorias afetadas argumentam que parte dos valores possui natureza distinta de remuneração direta. A discussão, portanto, deve gerar novos questionamentos judiciais.

Repercussão política e institucional

A decisão de Dino reforça o papel do STF como árbitro de disputas envolvendo autonomia dos entes federativos e limites constitucionais. No Congresso Nacional e em assembleias estaduais, o tema é acompanhado com cautela, pois afeta carreiras estruturadas com base em benefícios adicionais.

Governadores e prefeitos também observam o desdobramento, uma vez que eventual necessidade de devolução ou revisão de pagamentos pode impactar planejamento orçamentário.

A determinação consolida a tendência do Supremo de restringir mecanismos que ampliem salários acima do teto por vias indiretas. Ainda que recursos possam ser apresentados, o recado institucional é claro: mudanças legislativas não podem ser usadas para legitimar valores considerados incompatíveis com a Constituição.

Em um país que enfrenta desigualdades profundas e desafios fiscais persistentes, o controle sobre supersalários assume dimensão simbólica e prática. O desfecho definitivo do tema poderá influenciar debates sobre reforma administrativa e redefinir padrões de transparência na gestão pública.