Luiz Inácio Lula da Silva em retrato lateral, sorrindo levemente, usando terno azul e camisa clara, com fundo interno desfocado e plantas ao fundo.
Luiz Inácio Lula da Silva em retrato lateral, sorrindo levemente, usando terno azul e camisa clara, com fundo interno desfocado e plantas ao fundo.

Lula recebe premiê da Croácia e reforça articulação pelo acordo Mercosul-UE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o primeiro-ministro da Croácia para discutir o avanço do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O encontro reforça a estratégia diplomática do Brasil de ampliar apoio dentro do bloco europeu para destravar negociações que se arrastam há anos.

A conversa ocorreu em um contexto de reconfiguração das cadeias globais de comércio e de crescente disputa por mercados estratégicos. Para o governo brasileiro, consolidar o entendimento com a União Europeia é passo essencial para diversificar parcerias e reduzir vulnerabilidades externas.

Diplomacia econômica em foco

O acordo Mercosul-UE prevê redução de tarifas e ampliação de acesso a mercados para produtos industriais e agrícolas. Embora as tratativas tenham sido concluídas tecnicamente em 2019, resistências políticas e ambientais em alguns países europeus retardaram a ratificação.

Durante a reunião, Lula buscou sinalizar compromisso do Brasil com padrões ambientais e regras comerciais estáveis. A Croácia, como integrante da União Europeia, pode influenciar o debate interno do bloco. O diálogo também envolveu oportunidades de cooperação bilateral em áreas como infraestrutura, energia e tecnologia.


Tensões globais e reposicionamento estratégico

A negociação ocorre em meio a um cenário internacional marcado pela guerra na Ucrânia, disputas comerciais entre Estados Unidos e China e incertezas sobre cadeias de suprimentos. Nesse ambiente, acordos regionais ganham relevância como instrumentos de previsibilidade e integração.

Para o Brasil, fortalecer laços com a União Europeia amplia alternativas diante da dependência histórica de mercados asiáticos e norte-americanos. Já para os europeus, aproximar-se do Mercosul significa garantir acesso a matérias-primas estratégicas e ampliar presença em uma região de peso geopolítico.

Analistas avaliam que o avanço do acordo pode contribuir para estimular investimentos e gerar empregos, especialmente em setores exportadores. Ao mesmo tempo, há preocupação de segmentos industriais com a concorrência externa.

Impactos sociais e econômicos

A eventual implementação do tratado pode impactar cadeias produtivas, exigindo adaptação de empresas e políticas públicas voltadas à competitividade. No campo social, a ampliação do comércio tende a influenciar geração de renda e desenvolvimento regional, sobretudo em estados com forte vocação agrícola.

O governo brasileiro tem defendido que o acordo seja equilibrado e respeite compromissos ambientais, buscando evitar críticas internacionais relacionadas ao desmatamento e à agenda climática.

A reunião entre Lula e o premiê croata integra esforço diplomático mais amplo para consolidar apoios na União Europeia. A ratificação depende de consenso entre os países-membros e de aprovação institucional no bloco.

Em um mundo marcado por disputas estratégicas e busca por novos parceiros comerciais, o avanço do Mercosul-UE representa não apenas uma agenda econômica, mas também um movimento de reposicionamento geopolítico. O desfecho das negociações poderá redefinir o papel do Brasil nas cadeias globais e influenciar sua capacidade de articulação internacional nos próximos anos.