📰 Endividamento das famílias atinge 49,3% e consignado privado dispara 257%, aponta Banco Central
O endividamento das famílias brasileiras chegou a 49,3% da renda disponível em outubro, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (26). O avanço ocorre em um cenário de crédito mais acessível, mas também de juros elevados, que pressionam o orçamento doméstico e elevam o risco de inadimplência.
De acordo com o BC, o estoque total de crédito no país atingiu o recorde histórico de R$ 7 trilhões, enquanto a taxa média de juros para pessoas físicas subiu para 59,4% ao ano, o maior nível desde 2017.
📈 Consignado privado puxa alta do crédito
O principal vetor do crescimento do endividamento é o crédito consignado para trabalhadores do setor privado, microempreendedores individuais (MEIs) e motoristas de aplicativo. A modalidade ganhou força após a reformulação do programa Crédito do Trabalhador, lançada em março deste ano.
Um estudo do Banco Daycoval mostra que as concessões mensais desse tipo de empréstimo saltaram de R$ 1,6 bilhão para mais de R$ 6 bilhões, representando um crescimento de 257% no ano.
Apesar da expansão, o custo também aumentou de forma significativa. Em 12 meses, os juros do consignado privado subiram 18%, passando de 39,1% em novembro de 2024 para uma projeção média de 57,1% em novembro deste ano, segundo o BC.
⚠️ Risco de inadimplência preocupa
Para o especialista em crédito e riscos Jorge Azevedo, o aumento do endividamento não é necessariamente negativo, desde que esteja ligado a investimentos produtivos.
“O problema surge quando a dívida não gera renda. Em um cenário de juros altos e salários que não acompanham a inflação, a tendência é o crescimento da inadimplência”, alerta.
Dados do Banco Central mostram que a inadimplência no crédito com recursos livres ficou em 5,0% em novembro, levemente abaixo dos 5,1% registrados em outubro, mas ainda em patamar elevado.
🔮 Perspectiva para 2026: choque de renda x juros altos
Para 2026, o cenário econômico aponta para um cabo de guerra entre estímulos à renda e restrições monetárias. De um lado, a manutenção da taxa Selic em 15% até pelo menos março deve continuar freando o consumo. De outro, a ampliação da isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil pode injetar fôlego no orçamento das famílias a partir de janeiro.
Segundo o Daycoval, as famílias beneficiadas tendem a concentrar gastos em crédito habitacional (26%), consignado (24%) e cartão de crédito (19%).
Para o economista Antonio Ricciardi, o aumento de renda deve impulsionar o consumo, mas também alimentar novas concessões de crédito. “O ganho da isenção tende a ser usado mais para consumir do que para quitar dívidas, o que pode reforçar ainda mais a expansão do consignado”, avalia.




































































