O Brasil voltou a sair oficialmente do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO/ONU), após registrar médias de subalimentação abaixo de 2,5% da população no período 2022-2024 — critério técnico utilizado pela ONU para inclusão no mapa. Essa conquista representa um avanço importante no combate à insegurança alimentar, resultado de um conjunto de políticas públicas e iniciativas sociais voltadas à proteção alimentária e nutricional do país.
Nesta matéria, destacamos as principais ações que contribuíram para esse resultado e o que ainda é necessário para consolidar os ganhos.
Políticas públicas que fizeram a diferença
O avanço na segurança alimentar no Brasil está vinculado à retomada e fortalecimento de várias políticas públicas desde 2023. Entre elas estão a ampliação de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e o fortalecimento de mecanismos de aquisição e distribuição de alimentos, incluindo a alimentação escolar e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Além disso, o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) ganhou mais adesões municipais, ampliando redes locais de proteção para famílias em situação de vulnerabilidade.
Essas políticas foram combinadas com medidas que estimularam a geração de emprego e renda, fortalecendo a economia das famílias mais pobres e sua capacidade de acesso a alimentos adequados.
Iniciativas comunitárias e reconhecimento
Além das ações federais, diversas iniciativas locais ganharam destaque e reconhecimento por contribuírem para a redução da insegurança alimentar. Programas municipais e estaduais inovadores, como hortas comunitárias, bancos de alimentos e projetos de inclusão produtiva, foram premiados e servem de exemplo para políticas públicas eficazes.
O Prêmio Brasil Sem Fome, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), reconheceu 40 ações bem-sucedidas que fortaleceram a segurança alimentar em estados e municípios, incentivando práticas de combate à fome e promoção da alimentação adequada.
Desafios persistentes e próximos passos
Apesar da saída do Mapa da Fome ser uma conquista importante, especialistas alertam que isso não significa o fim da fome no país. Ainda há milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar, principalmente em áreas urbanas e populações vulneráveis, que dependem de políticas consistentes para manter o acesso regular a alimentos nutritivos.
Organizações da sociedade civil e especialistas em segurança alimentar ressaltam que a manutenção e o aprimoramento de políticas públicas são fundamentais para assegurar que os direitos à alimentação e à nutrição continuem sendo efetivamente garantidos.
A saída do Brasil do Mapa da Fome representa mais do que uma mudança estatística: é um reflexo de décadas de investimentos em políticas públicas e programas sociais que priorizam a dignidade e o acesso à alimentação. Ao mesmo tempo, essa conquista convida à reflexão sobre a continuidade, expansão e inovação das ações de segurança alimentar, garantindo que ninguém seja deixado para trás diante dos desafios sociais e econômicos que ainda persistem.




































































