Como fundos da Reag foram usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master

A Polícia Federal e o Banco Central apuram se fundos de investimento administrados pela gestora Reag foram utilizados em um esquema que inflou artificialmente o patrimônio do Banco Master, tornando a instituição aparentemente mais sólida do que realmente era antes de entrar em colapso e ser liquidada.

Esquema de valorização artificial

De acordo com denúncias e documentos encaminhados pelo Banco Central ao Ministério Público Federal, os fundos ligados à Reag participaram de uma sequência de operações financeiras estruturadas que supervalorizavam ativos e faziam com que recursos circulassem entre veículos antes de retornarem ao banco controlado por Daniel Vorcaro. A estratégia dava a impressão de que o patrimônio do Master era maior e mais consistente do que de fato estava.

Pelos indícios, o banco fazia empréstimos a empresas com capital reduzido e direcionava esses recursos a fundos administrados pela Reag, que então aplicavam em títulos do próprio Master ou em outros fundos, criando uma cadeia de transações que inflava números nos balanços contábeis.


Liquidação da gestora

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag Trust (hoje CBSF DTVM) em 15 de janeiro de 2026, sob a justificativa de graves violações às normas que regem instituições financeiras e por sua suposta participação no esquema que inflou ativos relacionados ao Master. A liquidação ocorre em meio à segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, que também cumpriu mandados em endereços ligados a ex-diretores e controladores das empresas envolvidas.

Como funcionava o mecanismo

Relatórios das investigações sugerem que o esquema funcionava com fundos com patrimônio aparentemente “multiplicado” em pouco tempo, em operações de alta rentabilidade que não tinham consistência econômica clara. Esses resultados chamaram atenção dos auditores e do Banco Central, que passaram a questionar se os valores refletiam negócios reais ou apenas manipulações contábeis para mascarar a condição financeira do banco.

O mecanismo teria sido usado, por exemplo, para registrar ativos de valor elevado nos balanços, mesmo quando esses títulos tinham preço de mercado inferior, contribuindo para a supervalorização dos relatórios patrimoniais apresentados pelo Master.

Contexto e desdobramentos

A investigação é parte de um esforço mais amplo para identificar irregularidades e possíveis crimes financeiros no âmbito da Operação Compliance Zero, que possui ramificações em diversas frentes, incluindo a atuação de grandes gestores de recursos e a possível conexão com esquemas envolvendo organizações criminosas.

A liquidação da Reag e a análise dos fundos envolvidos seguem em andamento, com autoridades buscando esclarecer responsabilidades, recuperar valores e determinar desdobramentos jurídicos para os envolvidos no caso.

Encerramento

Com a investigação em curso, o uso de fundos administrados por uma gestora para inflar ativos de um banco levanta questões sobre controles internos, práticas contábeis e o papel de gestores no mercado financeiro, além de reforçar a importância da ação regulatória e de fiscalização para garantir a transparência e a estabilidade do sistema financeiro.