Com o Natal se aproximando, uma tradição persistente no comportamento do consumidor brasileiro se mantém firme: a procura por presentes na última hora. Um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que 12,2 milhões de pessoas pretendem realizar suas compras natalinas apenas na semana que antecede a data comemorativa.
Esses consumidores, classificados como “atrasadinhos”, representam 10% do total de brasileiros que têm a intenção de presentear alguém neste fim de ano. A pesquisa foi realizada nas 27 capitais do país, ouvindo consumidores com 18 anos ou mais.
Expectativa por descontos é principal motivação
De acordo com o estudo, a principal justificativa para adiar as compras é a expectativa por promoções. Para 38% dos entrevistados, a espera por descontos mais vantajosos é o que os leva a comprar na última hora.
Outros fatores também influenciam esse comportamento:
- 25% afirmam aguardar o pagamento de rendimentos ou da segunda parcela do 13º salário
- 19% admitem ser desorganizados e deixar tudo para a última hora
Riscos financeiros em meio à correria
Especialistas alertam que deixar as compras para os últimos dias pode ser uma estratégia arriscada. José César da Costa, presidente da CNDL, explica que “o volume de pessoas nos dias que antecedem o Natal, a pressão do tempo e a menor disponibilidade de estoque podem dificultar a pesquisa de preços”.
Segundo a análise, esse cenário aumenta consideravelmente o risco de compras por impulso, com consumidores adquirindo produtos mais caros do que planejavam ou optando por parcelamentos longos que podem comprometer o orçamento familiar nos primeiros meses de 2026.
A CNDL orienta que os consumidores de última hora redobrem a atenção, definam um teto rígido de gastos e resistam à pressão do momento, mantendo o foco no planejamento financeiro mesmo na correria das compras finais.
Contexto mais amplo do consumo no Natal
O fenmeno das compras de última hora ocorre em um contexto de otimismo do varejo, que espera movimentar mais de R$ 72 bilhões nas vendas de fim de ano, um crescimento de 2,1% em relação a 2024.
Paralelamente, o comércio eletrônico brasileiro deve atingir um faturamento recorde de R$ 26,82 bilhões no Natal de 2025, representando um crescimento de quase 15% em relação ao ano anterior.
No entanto, um dado preocupante emerge de outra pesquisa da CNDL/SPC Brasil: 33% dos consumidores que pretendem comprar presentes neste Natal já possuem contas em atraso, sendo que 72% estão com o nome sujo. A pesquisa também revela que 22% daqueles que compraram presentes no Natal de 2024 ficaram com o nome sujo por causa das dívidas em atraso.
Perspectivas para o comércio
Apesar dos riscos financeiros para os consumidores, o setor comercial se prepara para atender à demanda com a contratação de 112,6 mil trabalhadores temporários, cerca de 5,5 mil a mais do que no ano passado.
Os supermercados e hipermercados devem concentrar pouco mais de 43% do volume financeiro, com vendas superando R$ 31,5 bilhões, enquanto lojas de vestuário, calçados e acessórios também se beneficiam tradicionalmente das festas de fim de ano.
À medida que o relógio avança para a véspera de Natal, milhões de brasileiros correm contra o tempo para garantir seus presentes, equilibrando expectativas de economia com os conselhos de cautela financeira dos especialistas.




































































