Novo escudo do Osasco Sporting que substitui o Oeste de Itápolis

Adeus, Oeste: clube muda de cidade, troca de nome e vira Osasco Sporting após 105 anos

Time fundado em Itápolis encerra sua trajetória histórica, deixa Barueri e passa a representar Osasco com novo escudo, cores e identidade

Adeus, Oeste: clube muda de cidade, troca de nome e vira Osasco Sporting após 105 anos

O Oeste Futebol Clube deixou oficialmente de existir. Fundado em 1921 na cidade de Itápolis, no interior de São Paulo, o tradicional Rubrão encerrou sua trajetória centenária e deu lugar ao Osasco Sporting, que passa a representar a cidade da Grande São Paulo com novo nome, cores, escudo e identidade visual.

A estreia do novo clube aconteceu na última sexta-feira, no empate sem gols com a Ferroviária, no estádio José Liberatti, pela Série A2 do Campeonato Paulista. A partida marcou simbolicamente o início de uma nova história, encerrando de forma definitiva os 105 anos do Oeste no futebol brasileiro.


A mudança foi oficializada em 26 de dezembro de 2025, quando a diretoria decidiu extinguir juridicamente o Oeste e criar uma nova agremiação, que segue utilizando a mesma inscrição na Federação Paulista de Futebol, mas com sede, nome e identidade completamente diferentes.

A principal razão para a mudança foi o rompimento com a cidade de Barueri. O clube utilizava o Centro de Treinamento cedido pela prefeitura e mandava seus jogos na Arena Barueri sem custos. Porém, a administração municipal pediu a devolução do espaço do CT, e uma empresa ligada à presidente do Palmeiras, Leila Pereira, venceu a licitação para administrar o estádio. Com isso, o Oeste perdeu sua base de operação e teria de arcar com aluguel para continuar utilizando a arena.

Sem condições financeiras para manter essa estrutura, a diretoria buscou uma nova cidade que oferecesse estádio e centro de treinamento em condições similares. A solução encontrada foi Osasco, que possui o estádio José Liberatti e atualmente apenas o Audax como clube profissional em atividade.

Para se adequar à nova cidade, o clube passou por uma transformação completa, adotando o nome Osasco Sporting, as cores azul e branco e um novo escudo, encerrando de vez a identidade rubro-negra que marcou décadas da história do Oeste.

A Federação Paulista de Futebol autoriza até dois clubes por cidade e estádio. Por isso, o Osasco Sporting poderá dividir o José Liberatti com o Audax. Para realizar a troca de sede, o clube precisou pagar uma taxa de aproximadamente R$ 800 mil à FPF.

A crise que levou ao fim do Oeste se arrasta há anos. Após conquistar a Série C do Campeonato Brasileiro em 2012 e disputar a Série B por oito temporadas consecutivas, entre 2013 e 2020, o clube entrou em forte declínio esportivo e financeiro.

Em 2020, foi rebaixado no Campeonato Brasileiro e também no Campeonato Paulista. Em 2021, caiu da Série C para a Série D. Em 2022, foi eliminado ainda na segunda fase da quarta divisão. Desde 2023, o clube não possui mais calendário nacional, disputando apenas competições estaduais.

Em 2025, o Oeste entrou em recuperação judicial, com dívidas executadas estimadas em cerca de R$ 3 milhões, entre ações cíveis e trabalhistas. O pedido foi aceito em maio daquele ano, o que permitiu a suspensão de bloqueios judiciais e a liberação provisória de sanções esportivas por parte da CBF.

Antes disso, o clube quase foi vendido à Red Bull, em 2019. A proposta girava em torno de R$ 45 milhões, mas a negociação não avançou porque a empresa pretendia transferir o time para Jundiaí. Pouco tempo depois, a Red Bull optou por adquirir o Bragantino, e o Oeste seguiu em queda livre.

A saída de Itápolis, em 2016, já havia provocado forte ruptura com a torcida. O estádio dos Amaros, que foi a casa do clube por 96 anos, passou a ser subutilizado, recebendo apenas partidas amadoras. Muitos torcedores abandonaram o time após a mudança, que gerou protestos e ressentimento na cidade.

Agora, com o nascimento do Osasco Sporting, o Oeste encerra de vez sua trajetória. Para Osasco, surge um novo clube profissional no cenário paulista. Para Itápolis e antigos torcedores, fica a memória de um time que marcou época e agora pertence definitivamente ao passado.

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Jornalista, engenheiro civil e mestre em recursos hídricos pela Universidade de Brasília, Ranielle Linhares é o fundador e estrategista-chefe do RaniNewsTV, a TV Digital de Brasília. Com mais de 850 mil seguidores nas redes sociais e mais de 77 milhões de contas alcançadas mensalmente, tornou-se uma das vozes mais influentes da comunicação digital na capital federal. Sua atuação combina credibilidade, linguagem acessível e uma abordagem multiplataforma que conecta política, cultura, economia e entretenimento.