O Usina Nuclear de Chernobyl, palco do pior acidente nuclear da história, voltou ao centro das atenções após um alerta grave: o abrigo antirradiação do Reator 4 pode desabar caso sofra novos ataques durante a guerra na Ucrânia, segundo autoridades locais.
O abrigo antirradiação que cobre o Reator 4 da usina de Chernobyl, destruído na explosão nuclear de 1986, encontra-se em condição estruturalmente frágil e pode colapsar se for novamente atingido por mísseis ou drones, alertou Sergiy Tarakanov.
Em entrevista à Agence France-Presse (AFP), Tarakanov afirmou que até mesmo impactos próximos poderiam gerar vibrações perigosas.
“Se um míssil ou drone atingir diretamente o local, ou cair nas proximidades, isso pode causar um mini-terremoto. Ninguém pode garantir que o abrigo permanecerá de pé”, declarou.
O risco preocupa autoridades ucranianas e organismos internacionais porque um eventual colapso do abrigo permitiria a liberação de poeira e partículas radioativas, com potencial de contaminar vastas áreas da Ucrânia e de países vizinhos.
Estrutura de proteção comprometida
O sistema de proteção de Chernobyl é composto por duas camadas:
- o Sarcófago, estrutura interna de aço e concreto construída às pressas após o desastre de 1986;
- o Novo Confinamento Seguro (NSC), uma gigantesca estrutura metálica concluída em 2019 para reforçar o isolamento do reator.
Em fevereiro de 2025, um ataque de drone atingiu o NSC, provocando um incêndio e perfurando a estrutura de aço. A Agência Internacional de Energia Atômica confirmou posteriormente que o abrigo perdeu funções primárias de segurança, incluindo sua capacidade plena de confinamento.
O impacto deixou um grande buraco no teto do NSC e cerca de 300 perfurações menores, causadas durante o combate ao incêndio. Reparos emergenciais estão em andamento, mas incluem apenas soluções temporárias, como telas metálicas de proteção.
Anos de vulnerabilidade
Segundo Tarakanov, a restauração completa das funções de segurança do abrigo pode levar de três a quatro anos. Apesar disso, ele ressaltou que os níveis de radiação permanecem estáveis e dentro dos limites considerados normais no momento.
O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, reforçou a gravidade da situação:
“Foram feitos reparos temporários, mas a restauração completa é essencial para garantir a segurança nuclear a longo prazo.”
Durante esse período, especialistas alertam que novos ataques poderiam causar o colapso do sarcófago interno, cenário considerado de alto risco radioativo.
Um legado ainda perigoso
O desastre de Chernobyl ocorreu em 26 de abril de 1986, durante um teste de segurança mal executado no então território soviético. A explosão liberou enormes quantidades de material radioativo, contaminando regiões da Ucrânia, Belarus, Rússia e outros países europeus. Até hoje, uma zona de exclusão de 30 quilômetros ao redor da usina permanece praticamente desabitada.
Quase quatro décadas depois, a combinação entre estrutura envelhecida e conflito armado reacende temores globais sobre segurança nuclear em áreas de guerra.



































































