O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) concluiu, com apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o projeto Redeser, que expandiu a gestão sustentável para 1,5 milhão de hectares no bioma Caatinga. Os resultados foram apresentados durante o lançamento do Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil), em Brasília .
A iniciativa, retomada em 2023 após quatro anos de paralisação, concentrou-se em 15 municípios de cinco áreas prioritárias nos estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia e Alagoas . Financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), ela teve como pilares a gestão integrada da paisagem, o manejo florestal sustentável, a implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) e o fortalecimento da apicultura junto a agricultores familiares e comunidades tradicionais .
Um dos marcos práticos do projeto foi a elaboração e implementação de Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) em cerca de 30 mil hectares . Além disso, foram qualificadas 1.932 pessoas — entre agricultores, extensionistas e técnicos —, e mais de 340 receberam capacitação específica no Sistema Nacional de Sementes e Mudas, fortalecendo 12 bancos comunitários de sementes e 12 viveiros .
Para Edel Moraes, secretária Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, o Redeser comprovou que é possível reverter a desertificação fortalecendo economias locais e valorizando saberes tradicionais. “Os conhecimentos e práticas dos povos e comunidades tradicionais da Caatinga são chave para construir resiliência”, afirmou .
O representante da FAO no Brasil, Jorge Meza, destacou o projeto como uma estratégia de agricultura resiliente ao clima, focada na recuperação de áreas degradadas, mitigação dos impactos climáticos e capacitação contínua .
O lançamento do PAB-Brasil, que ocorreu paralelamente à apresentação desses resultados, estabelece uma meta ousada: recuperar 10 milhões de hectares de terras degradadas na Caatinga até 2045 . Atualmente, o processo de desertificação ameaça 18% do território nacional — uma área que cresceu 140 mil km² entre 2004 e 2020 —, impactando mais de 39 milhões de pessoas .



































































